Opinião

Neoliberalismo e capital improdutivo

“Os recursos existem, mas sua produtividade é esterilizada por um sistema generalizado de especulação”, escreve Emir Sader

Cidade de Londres
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A lógica da acumulação de capital mudou. O neoliberalismo fez o capitalismo entrar numa era do capital improdutivo. A riqueza social produzida pelo trabalho tem sido capturada pelo capital financeiro.

A brutal concentração da riqueza no mundo se deve essencialmente ao rendimento de aplicações financeiras. O capitalismo entrou em uma fase de dominação da intermediação financeira sobre os processos produtivos.

Está cada vez mais claro que as grandes fortunas do mundo estão nas mãos de quem lida com os papéis financeiros. A financeirização se nutre da apropriação dos ganhos de produtividade.

As aplicações financeiras rendem mais que os investimentos produtivos. O PIB mundial cresce em média entre 1 e 2,5% por ano. Enquanto as aplicações rendem acima de 5%. Há uma dinâmica de transformação de capital produtivo em patrimônio financeiro, com a economia real sendo sugada pela financeirização.

Os recursos existem, mas sua produtividade é esterilizada por um sistema generalizado de especulação, como afirma Ladislaw Dowbor, que drena as capacidades de investir na economia real.

Os paraísos fiscais são uma espécie de prostíbulo do capitalismo, em que pequenos países alugam sua soberania para processos de especulação financeira, sem pagar os impostos que pagariam em seus países de origem. Os recursos não declarados, colocados em paraísos fiscais, chegam a cerca de três trilhões de dólares, enquanto o PIB mundial chega a 80 trilhões de dólares. Os fluxos financeiros negativos para os países mais pobres significam que estes estão financiando os ricos, através do sistema financeiro internacional.

Neles, os capitais são reciclados para usos diversos, repassados a empresas com outros nomes e de outras nacionalidades, lavados e formalmente limpos, livres de qualquer tipo de imposto. É um sistema que não agrega valor, ao contrário, redistribui a riqueza para cima e os riscos para baixo.

Os recursos se multiplicam pela imensa renovação tecnológica do mundo, mas não são os produtores os que se apropriam desses recursos. Ao contrário, as esferas pública e empresarial se encontram endividadas com o sistema financeiro.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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