Nas ditaduras a cultura e as artes são instrumentos de luta e de esperança. Paradoxalmente, a censura do regime autoritário estimula a criação através das vozes, dos sons, das imagens e das expressões que denunciam e inspiram a resistência.
Foi nessa atmosfera que nasceram grandes obras na música, na literatura, no cinema, no teatro, nas artes plásticas, e surgiram tabloides como o Pasquim, que ironizavam o sistema com inteligência.
Nessa triste era bolsonarista, onde a burrice é o espetáculo, a cultura brasileira vive o pior momento de toda a sua existência. Prova disso, é que artistas populares da grandeza de Aldir Blanc, Paulo Gustavo, Tarcísio Meira, Agnaldo Timóteo e Paulo José, morreram durante a pandemia e a Secretaria de Cultura do governo federal, assim como o presidente, não manifestaram luto e pesar.
Uma pessoa desavisada que assista a live semanal do presidente, vai pensar que Bolsonaro é um desses velhacos decrépitos que gravam discurso de ódio sentado na cadeira de balanço com um adereço em diagonal no peito, ou então que o Brasil foi invadido por comunistas alienígenas e tarados, tamanha a quantidade de bobajadas ditas sempre com uma testemunha na retaguarda, pescada no cercadinho das almas.
No circo dos absurdos o picadeiro é palanque para discursos rasos, aleatórios, negacionistas, inúteis e preconceituosos de Jeffersons, Lorenzonis e afins. A seguir nessa toada, o Brasil está caminhando para substituir a liberdade das asas do conhecimento e da diversidade, pela corda da forca da estupidez, onde as tribos usam o mesmo corte de cabelo e cultuam um mito antidemocrático no altar da ignorância.
Se nada mais acontece no meu coração, quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João, então chegou a hora de checar os cintos, amarrar os cadarços, segurar na mão da criançada, porque a lotação da cultura tem que frear para arrumar a ‘cozinha’.
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