Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia – Qualquer semelhança não é mera coincidência. O filme curta-metragem, O Brasil precisa de você, produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (Ipês) – que funcionou em plena Avenida Rio Branco, coração comercial e financeiro do Rio de Janeiro, desde fevereiro de 1962 – tinha um objetivo. Era parte de um conjunto de curtas criados para serem exibidos em todo o país. Dos grandes centros aos mais longínquos rincões. A intenção era a de que fossem peças de convencimento à população, não só para que aceitasse o golpe de 1964, como ansiasse por ele.
Os filmes do Ipês foram localizados e identificados como um conjunto com este objetivo, por mim, no ano de 2000, quando foram recuperados com auxílio da Fundação de Amparo e Pesquisa do Rio de Janeiro – (Faperj) e contextualizados no meu livro: “Propaganda e Cinema a Serviço do Golpe – 1962/1964”, lançado em 13 de março de 2001. Hoje estão disponibilizados para consulta no Arquivo Nacional.
Surpreendentemente, quando novos ventos golpistas sopram sobre o Brasil, num prenúncio de aventura de mau gosto, nada menos que o filho do presidente/candidato a ditador, Eduardo Bolsonaro, nos sai com uma peça de propaganda nos mesmos moldes: O Brasil precisa saber. Os títulos quase iguais, a estética semelhante – em tempos agora coloridos – nos remetem ao núcleo da Rio Branco, onde foi engendrada a conspiração para a derrubada do presidente eleito democraticamente, João Goulart, sob a batuta do general Golbery do Couto e Silva. Não há como negar. Diante da gritaria da mídia e de várias instituições, eles recuaram da ideia de um golpe contra o Congresso e o STF – por enquanto. Mas sem dúvida Eduardo Bolsonaro foi beber na fonte inspiradora do Ipês.
Comparem:
https://www.youtube.com/watch?v=wzWricBgMt8
https://www.youtube.com/watch?v=AiWy6Fw8xMw
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão