Opinião

O caso da cerveja backer

O inquérito policial apontou que a contaminação da cerveja pela substância ‘dietilenoglicol’ ocorreu por meio de rachaduras nos tanques que armazenavam a bebida

Cerveja Belorizontina
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Você, leitor, provavelmente deve lembrar-se do caso da cerveja Baker.

Em janeiro de 2020, várias pessoas que consumiram cervejas da marca Backer – fabricada em Belo Horizonte – foram hospitalizadas por intoxicação.

O inquérito policial apontou que a contaminação da cerveja pela substância ‘dietilenoglicol’ ocorreu por meio de rachaduras nos tanques que armazenavam a bebida.

Conforme a Polícia Civil, 29 pessoas que beberam a cerveja Backer desenvolveram uma síndrome que causou insuficiência renal aguda pela substância tóxica encontrada na bebida e que vazou de um dos tanques. Desse total, dez pessoas morreram e 19 apresentaram sequelas graves.

A escritora mineira, Karla Celene, debruçou-se sobre o caso e escreveu o comovente livro “Antônio – Olhos da vida” (Editora PoisZé – 314 páginas).

No último dia 25 de maio de 2024, três meses depois da publicação do livro, eu e a Sheila recebemos da escritora Karla Celene, no Salão do Livro do Rio, a obra que conta a história de Antônio Carlos, uma das vítimas do envenenamento com a cerveja belorizontina.

Morador de Nova Lima, o mineiro Antônio Carlos, de 57 anos, não poderia nunca imaginar que ao beber umas cervejas com amigos, comemorando o réveillon de 2019, passaria meses lutando pela vida em um quarto de hospital e que sairia desta luta com sequelas graves.

A obra da escritora conta o nascimento, a infância, a vida modesta em Francisco Sá, sertão de Minas Gerais, o sofrimento e a luta de Antônio Carlos e sua família pela vida. Antônio sobreviveu graças à fé, ao amor, aos amigos e à música.

Antônio perdeu tudo. A saúde, os movimentos, os rins, a fala e a visão. Só não perdeu a esperança.

“A história de Antônio precisa ser escrita. Não se trata de romance baseado na vida real. Para que a realidade não nos destrua, é a vida real que precisa se transfigurar em arte, numa modalidade literária denominada romance; numa narrativa polifônica, uma vez que várias vozes pedem para se manifestarem numa temporalidade não linear, uma vez que passado, presente e futuro se entrelaçam para falar de dor e medo – mas também de esperança e superação. De escuridão e luz” – diz Celene, na apresentação do livro.

Celene – que também é poeta – encerra o livro com um poema:

O furo no tanque

O Vazamento

A substância tóxica a misturar-se com a cerveja

As águas turbulentas

As dores no corpo

As dores na alma

A dor de viver

O coma

As mortes

As sequelas

A paralisia corporal

A perda da fala

A falência dos rins

A cegueira

O desespero nos lares

O desfazer-se dos sonhos

A interrupção do presente

O corte brusco do futuro

E a longa e dolorosa luta para fazer

A vida continuar

Acontecer

E amanhecer.

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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