Por 450 votos a 10 a Câmara dos Deputados cassou Eduardo Cunha.
Um resultado redondo e inesperado para uma segunda-feira.
Pior do que a derrota de Dilma.
Doze dias depois da queda de Dilma, de quem foi algoz.
O número de gols contra parece indicar qual foi o principal partido que o traiu.
Mas todos lhe viraram as costas.
Nem o seu partido orientou o voto nele.
Dos 367 votos que ele amealhou para despachar Dilma para o Senado em quatro meses sobraram 10.
Foi a maior goleada que levou na vida, logo ele que ganhava todas enquanto presidiu a Câmara.
Somente dois integrantes da sua ex-tropa – Carlos Marun e Delegado Edson Moreira – o defenderam da tribuna.
Os microfones foram ocupados só por deputados que defendiam a cassação.
Liquidado politicamente por oito anos já está. O que é uma boa noticia para o Brasil.
Um malvado a menos na política.
Agora é esperar para ver o que Moro reserva para ele.
Se vai prendê-lo já ou permitir que responda aos processos em liberdade.
E o que ele reserva para os que o traíram, se for preso.
Ninguém que o conhece tem dúvida que a derrota acachapante ele vai atribuir a Temer.
Perder, ele sabia que ia, mas não esperava essa humilhação.
Esse Waterloo tropical.
Bastava Temer estalar os dedos para arregimentar os aliados em torno de Cunha.
E ao menos reduzir o impacto da derrota.
Mas Temer não fê-lo.
Para Cunha, o culpado é o mordomo.
Deixou que o derrubassem e lhe dessem um coice.
Um desaforo.
E ele não é de levar desaforo para casa.
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