Opinião

O dia em que o Jair morreu

Se é pra ir preso, que seja com um mínimo de dignidade

Jair Bolsonaro
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“Réquiem  aetérnam dona eis Dómine, et lux perpétua lúceat eis. Requiéscant in pace. Amen.”

(Dai a eles, Senhor, o repouso eterno e que brilhe a luz da vossa face sobre eles. Que repousem em paz. Amém.)

C’est fini

it’s over

ha finito

terminó

Escolha o idioma, o fato é que acabou. Publiquei reportagem na TV Cidadania dizendo que a manifestação bolsonarenta iria flopar, mas não dá para dizer que foi tanta gente assim…

Para flopar, precisaria multiplicar por 3 a “minifestação” de Bolsonaro na avenida Paulitsta — a quarta nos últimos dois anos. 

“Virou carne de vaca”, diria a santa avozinha. 

Você já comemorou o fim do Bolsonarismo? O programa que gravei no meu canal levava o título “ASSISTA HOJE, AO VIVO, AO VELÓRIO POLÍTICO DO JAIR”.

Durante a live, cravei público de dez mil pessoas no ato; eram doze mil, segundo o Monitor do Debate Político do Cebrap e da Universidade de São Paulo junto com a ONG More in Common. 

Consegui ver duas (D-U-A-S) pessoas com menos de cinquenta anos na manifestação…

Etarismo? Uma ova, tenho 65 e caminho para 66 em míseros seis meses. 

Todos brancos e endinheirados dos bairros dos Jardins, no quintal da avenida Paulista. 

Falta do que fazer. Muitos não saíam da casa havia tempo. Essas manifestações do Jair viraram ponto de encontro de gente da terceira idade que passa os dias buscando uma ideia para gastar o dinheiro que acumulou na vida explorando gente humilde. 

Um dos sinais que me indicaram, logo de cara, que havia flopado em diversos níveis foi a Fiesp, que costuma aglutinar multidão equivalente à que vai se masturbar ao som do Jair e do Malafaia vertendo seus grunhidos obscenos e infames do alto do trio elétrico. 

A manifestação começou às 14 e às 15 os ambulantes já estavam vazando. Era um chororô de cortar o coração, Vieram lá dos extremos da cidade para empurrar umas bandeiras do Brasil ou de Israel, ou umas camisetas da Seleção, ou um churrasquinho de gato ou mesmo uma aguinha para as múmias fascistas que perambulavam pela Paulista. 

Nem os banquinhos pros velhinhos descansarem os ossos, que fazem tanto sucesso nas micaretas bolsonarentas, venderam bem. 

Impagável eram as caras do “mito” e do “Tarcínico”. Caras de enterro. Com razão, convenhamos. 

Pela primeira vez, não faltou sinal de internet. 

Tomara que o Bolsonaro chute a bunda do Malafaia, pra ele parar de ter ideias idiotas. Se é pra ir preso, que seja com um mínimo de dignidade.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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