Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia – Já lembrei aqui não uma nem duas nem cinco, mas umas dez vezes a frase de um querido amigo assegurando que há limite para tudo nesta vida, e esclarecendo: “até para saque em caixa eletrônico”.
Pois Jair Messias desmente esse meu amigo várias vezes por dia. E agora, com o país mergulhado numa crise que não tem precedentes há pelo menos um século, além de exibir robustas provas de que não tem limite algum ele reforça a certeza de que não tem norte nem rumo.
Como se já não bastasse ter posto o país inteiro em risco ao desdenhar do real perigo do coronavírus e retrasar de maneira criminosa a adoção de medidas (ou ao menos tentativas) de prevenção, ele agora se divide entre espicaçar quem realmente está agindo – os governadores, com destaque para João Dória e Wilson Witzel – e em disputar espaço com ninguém menos que seu próprio ministro da Saúde.
Também não desperdiça um único segundo e a mais mínima chance de disparar asneiras e mentiras, sempre no intuito de diminuir a gravidade e as dimensões da crise em que o país está mergulhando mais e mais a cada hora que passa.
Isolado, desmoralizado e desprezado, Jair Messias ainda tem um poder de contágio tremendo, especialmente entre os bolsões de seus seguidores mais imbecilizados e fanáticos.
Neste sábado mesmo ele gravou (e pior: divulgou) um vídeo anunciando que “médicos do Alberto Einstein” (quem escreveu o que Jair Messias leu aos tropeços errou até mesmo o nome do hospital) estão iniciando testes para um remédio que fará com que o vírus vá embora depressa. Além de ser mentira de uma imbecilidade extrema, o que este sacripanta fez foi contribuir para aumentar uma corrida às farmácias atrás de um remédio de nome complicadíssimo (hidroxicloroquina) que é vital para o tratamento de outras doenças. Seus efeitos colaterais podem ser graves e provocar, entre outras consequências, cegueira.
É verdade que tanto no Albert Einstein como em outras instituições brasileiras e de vários países do mundo esse remédio está sendo testado. Mas também é verdade que não há, ao menos por enquanto, indício algum de que ele seja eficaz no combate ao coronavírus.
Pensando bem, o pior problema que o Brasil enfrenta, acima até mesmo da tragédia do corona, é o Bolsonavírus.: ele propaga imbecilidade em velocidade altíssima.
E também contra ele, ao menos por enquanto, não há antídoto.
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