Opinião

Os homens-bomba do bolsonarismo

A gravação entre Jorge Kajuru e Jair Bolsonaro tem aspecto de ato combinado, com o intuito de provocar a militância bolsonarista, já que não seria aconselhável que o presidente viesse a público, expusesse sua intenção e convocasse seus aliados

Na conversa gravada e divulgada pelo Senador Jorge Kajuru, do partido Cidadania –GO, entre ele e Jair Bolsonaro, onde o presidente dá sinais de que pretende usar a CPI da pandemia para perseguir governadores, prefeitos e ministro do STF, existe uma mensagem subliminar para que o núcleo duro que o apoia inicie ações na tentativa de adiar ou barrar a abertura da CPI. 

Essa gravação tem aspecto de ato combinado, com o intuito de provocar a militância bolsonarista, já que não seria aconselhável que o presidente viesse a público, expusesse sua intenção e convocasse seus aliados. 

Outro objetivo é a intimidação a senadores e ministros do Supremo, inclusive com pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. 

O terrorismo intimidatório é estratégia pontual executado por aliados que se submetem a ‘servir à causa’ e assumir as consequências, como no caso do deputado federal Daniel Silveira, PSL RJ, que postou vídeo ameaçando e incitando a militância a agredir fisicamente o ministro Edson Fachin, além de fazer apologia ao Ato Institucional número 5.  

Desta vez foi Kajuru que se colocou como ‘homem bomba’ do bolsonarismo, divulgando comunicado sem comprometer o seu líder. Mais tarde, em seu twitter, Kajuru mandou mensagem ao ministro Kassio Nunes, indicado de Bolsonaro ao STF: “Kassio, nós sabemos seu preço“, tuitou. 

O senador Flávio Bolsonaro, Republicanos-RJ, entrou no esquema para jogar ainda mais confete, dizendo que vai levar Kajuru para o conselho de ética do Senado por quebra de decoro parlamentar. 

Para apimentar mais ainda a contenda e criar uma fumaça sobre seus crimes, Bolsonaro postou no Facebook: Se a facada tivesse sido fatal, hoje você teria como Presidente Haddad ou Ciro. Sua liberdade, certamente, não mais existiria. […] Hoje você está tendo uma amostra do que é o comunismo e quem são os protótipos de ditadores, aqueles que decretam proibição de cultos, toque de recolher, expropriação de imóveis, restrições a deslocamentos, etc…” 

A verdade é que Bolsonaro está com medo de ser pego pelo rabo pela CPI, como deixou claro no áudio: “Se não mudar o objeto da CPI, ela vai pra cima de mim”. Qual é, presidente, é só uma CPIzinha.

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Cortes 247

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