Opinião

?Por qué no te callas?

Em seu novo artigo, a jornalista pela Democracia Denise Assis questiona: “Por que diabos nós temos agora que nos calar diante dos olhos esbugalhados e a boca sem lábios, do senhor Jair, que vocifera impropérios contra a imprensa, contra a ‘esquerda’, contra o país?”

Jair Bolsonaro
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Por Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia

Caiu o “valete” do obscurantismo nazista, mas falta cair o “rei de espada”. Falta calar quem nos manda calar. Falta mandar para casa, aquele que o Exército Brasileiro não quis. Impediu e retirou de suas fileiras O general Ernesto Geisel, penúltimo ditador do Brasil do regime militar (1974 a 1979), não poupou clareza ao falar dele em seu depoimento à FGV. Disse com todas as letras que o Exército considerou Bolsonaro “um caso completamente fora do normal. Inclusive um mau militar”. Disse, ainda, que Bolsonaro era um deputado que já chamava a atenção “pela indigência mental”.

Ex-ministro do Trabalho, da Educação e da Previdência, o tenente coronel Jarbas Passarinho afirmou em 2011 que Bolsonaro era “um radical e eu não suporto radicais”.

O contexto do depoimento, concedido aos historiadores Celina D’Araujo e Celso Castro, a esta altura, eram as “vivandeiras” do regime militar. 

Por que diabos nós temos agora que nos calar diante dos olhos esbugalhados e a boca sem lábios, do senhor Jair, que vocifera impropérios contra a imprensa, contra a “esquerda”, contra o país? Por que temos de ouvi-lo falar em “nosso governo”, quando até há pouco tempo tínhamos como slogan “Brasil, um país de todos”? A visão de que o governo é dele e de que o restante do país só o atrapalha de se divertir com o brinquedinho que ele acha que conquistou nas urnas, é a tradução da distorção da democracia e dos seus princípios. Um governo deve ser para todos.

Não adianta demitir um Roberto Alvim, e seguir ecoando o seu discurso nazista nas demais áreas. Bolsonaro pede que deixemos o seu governo em paz. Não. Não nos calaremos para deixá-lo assaltar com tranquilidade os cofres públicos, desviar funcionários de função, fechar postos de trabalho, vender riquezas, romper com países amigos, empatar negócios rentosos para o Brasil, meter-nos em guerras alheias, acobertar os filhos em suas ilicitudes, favorecer seu exército de amigos armados de fuzis escondidos sob as camas, que amanhã poderão ser usados contra nós. Cale-se você, presidente. Seus discursos inconvenientes estão fazendo mal ao país.

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