Opinião

Povos e cadáveres desiguais

A morte é um fenômeno que gera cadáveres biológicos; e a desigualdade gera cadáveres sociais

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Parlamento, desde o século XIII, ressurgindo na Inglaterra para dirimir o poder do absolutismo

 A vida seguindo os passos da hierarquização (regente) do devir

Tribos e clãs, seguiram no baile das instâncias. O ator humano foi classificado como selvagem, primitivo; em seu estado natural. E quanto mais ele se alumia, pois comeu da árvore do conhecimento, mais ele se torna  um “bárbaro”.

Talvez a etimologia do termo denote apenas “estrangeiro”. E a nota a seguir extraída de uma notícia publicada hoje mostra que nosso destino é sempre perecer: “Um homem preso por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro morreu hoje (20) após passar mal no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Cleriston Pereira da Cunha, 46, teve um “mal súbito” durante o banho de sol, segundo informações da unidade prisional.

Após a morte, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, cobrou informações à Papuda, incluindo o prontuário médico de Cleriston.

O que aconteceu – Cleriston teve um mal súbito no bloco de recolhimento, durante o banho de sol por volta das 10h, de acordo com ofícios enviados pela Papuda à juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais”.

A morte é um fenômeno que gera cadáveres biológicos; e a desigualdade gera cadáveres sociais, como por exemplo, os professores do Estado do Rio de Janeiro, que correm o risco de morte, a qualquer momento, por conta da chibata do baixo salário que ferve em um mundo usurpador universal.

Um cadáver na Papuda, um cadáver no Engenhão, milhares de cadáveres em Gaza, na Ucrânia, em Israel, realmente o planeta está no auge do barbarismo pós-moderno.

As marchas das mortes desnecessárias seguem pari passu  à loucura do poder…

Assim como o nascer, a morte faz parte do processo de vida do ser humano. Portanto, é algo extremamente natural do ponto de vista biológico. Entretanto, o ser humano caracteriza-se também e, principalmente, pelos aspectos simbólicos, ou seja, pelo significado ou pelos valores que ele imprime às coisas.

A existência de um sistema baseado na extrema desigualdade acelera o processo da inexistência humana.

A existência de um mundo onde os povos morrem de fome em meio a um mar de retóricas de escaladores de tribunas – que “falando em línguas” estranhas no cenário mundial – confirmam o pensamento de Jean Jacques Rousseau : “A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável.

“Sempre notei que as pessoas falsas são sóbrias, e a grande moderação à mesa geralmente anuncia costumes dissimulados e almas duplas”. Jean Jacques Rousseau

Infelizmente, as sociedades seguem cegas , surdas e VILIPENDIADAS.

E deixo aqui a seguinte reflexão: “Como será o natal (de 2023) para quem recebe 1.300 reais mensais”?

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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