Estamos assistindo, pelas redes sociais, uma discussão inóspita que ultrapassou a linha da razoabilidade. De um lado o ator José de Abreu, que já foi Tucano, Peemedebista, presidente autoproclamado, e do outro a atriz Regina Duarte, demitida da Globo e nomeada Secretária de Cultura do governo Bolsonaro.
O que causa estranheza é ver jornalistas, influenciadores e políticos de esquerda entrarem nesse debate que não é comum entre os progressistas. José de Abreu, na minha interpretação, errou ao expor a intimidade de Regina ao dizer que sabia o que fizeram na casa da atriz na Barra da Tijuca. Não consigo imaginar o Chico Buarque dizendo algo parecido.
O antagonismo político não justifica a falta de ética e de respeito com o outro. Regina Duarte é conservadora desde as eleições de 1989, pregou o medo na sociedade contra o PT, fez campanha para Bolsonaro e acabou convidada para participar do governo. Não há nada de errado nisso. A atriz tem o perfil da equipe que compõem o governo, está no lugar certo. Estranho seria Fernanda Montenegro na pasta.
Argumentos toscos como: “fascista a gente trata no cuspe; vagina não transforma mulher em ser humano”, não cabem no enredo da esquerda. José de Abreu pode até ter boas intenções na guerra contra o fascismo, mas deve seguir independente em suas batalhas diárias. Sensata foi a atriz Patrícia Pilar que organizou um encontro com diversos artistas em sua casa, com o objetivo de levarem pautas da classe à atual Secretária de Cultura.
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