Não sei se alguma das defesas dos réus foi digna de nota no primeiro dia do julgamento da trama golpista. Pode ser que uma ou outra tenha escapado, talvez. O que vi foram advogados distribuindo afagos aos ministros e à ministra da Suprema Corte, elogiando currículos, buscando afinidades biográficas com cada julgador, mas não encontrei nenhuma linha capaz de negar o essencial: o fato de que houve, sim, a tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito.
Como já havia observado no dia das alegações iniciais das defesas, o conjunto da ópera desse primeiro dia aponta para um desfecho inevitável: todos os réus serão condenados. Porque a questão central – a tentativa de golpe contra a democracia brasileira – não foi desmentida. A condenação coletiva é, portanto, certa.
As penas, claro, terão dosimetrias distintas. E isso é fundamental para que o comandante em chefe da organização criminosa seja exemplarmente punido. Somente assim se poderá enfraquecer a moral golpista que ainda resiste em setores das Forças Armadas, que, ao longo de nossa história, sempre se autoproclamaram “poder moderador”. Uma resposta firme hoje, em especial a quem comanda um golpe, tem a força de desestimular aventuras semelhantes nas futuras gerações de militares.
O ponto alto do julgamento foi o recado enviado ao governo Trump e a todos que ousam ameaçar nossa democracia com chantagens e conluios com governo estrangeiros, cometendo crime de lesa-pátria. Mais uma vez, nossas instituições deixaram claro que não se vergarão a pressões – nem internas, nem externas – como bem ressaltou o ministro Alexandre de Moraes.
Esse primeiro dia deixou evidente, para quem ainda tivesse dúvida, que todo o processo – investigação, denúncia, recebimento da ação penal, instrução, alegações finais – tem seguido o rito legal, respeitando o amplo direito de defesa. E a acusação, salvo alguma ressalva irrelevante que em nada inocentaria qualquer dos réus, é sólida, descrevendo com precisão o roteiro desempenhado pelos golpistas até o fatídico 8 de janeiro de 2023.
Ficou também patente que não se trata de perseguição política a um campo ideológico ou a uma família, mas do julgamento de réus que, pelos elementos constantes dos autos, muito provavelmente serão condenados em várias tipificações criminais. O resumo do primeiro dia desse julgamento histórico – o primeiro em que um ex-presidente responde por atentado contra o Estado Democrático de Direito -, repito, é a reafirmação da força das nossas instituições. Porque o Brasil é dos brasileiros e das brasileiras.
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