Opinião

Temer age cada vez mais como ditador

Ao comparar o Senado americano com o brasileiro, o colunista do 247 Alex Solnik diz que que Michel Temer atua para retaliar os dissidentes, e negocia cargos em troca de votos, “deixando bem claro que não quer que o senador vote por convicção e sim por imposição”; “Em vez do diálogo, do debate democrático, do…

Presidente Michel Temer durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. 31/05/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
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  Ao ler, agora há pouco, notícias a respeito do Trumpcare  (o SUS deles) fiquei pensando nas diferenças entre a política americana e a brasileira.

   Gostemos ou não dos Estados Unidos não há como contestar que é um país democrático. Nunca houve uma ditadura por lá. De democracia eles entendem.

   Dizia a notícia que o líder republicano ainda não anunciou o projeto de Trump em sua totalidade e quatro senadores do seu partido já tinham objeções ao texto.

   E ninguém os pressionou a mudarem de opinião. Seja seus líderes ou o líder máximo da nação.

   Em outras palavras: não é porque o projeto foi elaborado pelo governo, que é republicano, todos os senadores republicanos têm que votar em bloco a favor.

   Ninguém interfere na liberdade de pensamento dos senadores.

   Quanta diferença com o modelo brasileiro! Aqui, a reforma trabalhista tem que ser aprovada às cegas, tal como veio da Câmara e os senadores não podem dar um pio.

   Isso os desmoraliza e os transforma em vaquinhas de presépio, em vassalos do rei.

   Se o senador não pode pensar por si seu mandato perde a razão de ser.

   As pressões não vêm só da liderança. O próprio presidente atua para retaliar os dissidentes, ignorando a constituição que estabelece a harmonia e a independência entre os três Poderes.

   E negocia cargos em troca de votos, deixando bem claro que não quer que o senador vote por convicção e sim por imposição.

   Em vez do diálogo, do debate democrático, do livre pensar, o que prevalece é a lei do tacão, a chantagem, a intimidação.

   Ou o sujeito vota o que o presidente quer ou seus indicados perdem os cargos que ganharam.

   Temer tenta, dessa forma, impor o pensamento único, primeiro em seu partido, depois em toda a nação, o que é a base de um regime autoritário.

   Temer age cada vez mais como ditador.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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