Opinião

Ucrânia: o sanfoneiro explica

“Gilson Machado foi direto ao alvo: Putin invadiu a Ucrânia pela simples e exclusiva razão de não ter ouvido a sapientíssima palavra de Jair Messias”

Bolsonaro e Machado: figura assídua nas lives do presidente
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Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia

Já disse e redisse, e reitero aqui, que ninguém – absolutamente ninguém – que integra o governo de Jair Messias merece uma gota, por mais milimétrica que seja, de respeito. Nenhum deles e nenhuma delas vale um tostão furado. E que estão divididos em duas alas nítidas: a das aberrações abjetas, e por isso mesmo mais perigosas, e a das aberrações patéticas.

Perfeito exemplo dessa segunda categoria, o sanfoneiro que ocupa o ministério do Turismo – que, para desgraça nossa, abriga a secretaria Especial de Cultura – e que atende pelo nome de Gilson Machado, explicou ao mundo a razão de Vladimir Putin ter invadido a Ucrânia.

Enquanto analistas, empresários, diplomatas, jornalistas, enfim, enquanto meia humanidade se divide entre uma e outra razão para explicar a invasão, Gilson Machado foi direto ao alvo: Putin invadiu a Ucrânia pela simples e exclusiva razão de não ter ouvido a sapientíssima palavra de Jair Messias. Uma pena.

Convém recordar que dias depois da fatídica visita do Genocida a Moscou, essa mesma figurinha patética divulgou nas redes sociais um profundo agradecimento a quem o instalou na poltrona que ocupa na Esplanada dos Ministérios: a partir da visita de Jair Messias, “graças a Deus já foram retiradas as tropas e não se fala mais em guerra”.

Como teria advertido Mané Garrincha, só faltou combinar com os russos. Bizarro. 

Outro que se manifestou foi o vice-presidente, o general da reserva mais que conservador, reacionário, Hamilton Mourão. 

Numa demonstração da mentalidade brilhante e lúcida dos generais (para sorte nossa, empijamados…) que cercam o pior presidente da história da República, ele disse que punição econômica à Rússia de Putin é pouco. Por ele, haveria reação militar. Faltou esclarecer se com bomba nuclear ou não.

O Itamaraty, ou o que resta dele desde a enxurrada de lama desatada por Ernesto Araújo, emitiu uma nota oficial quase tão frouxa quanto meu saldo bancário.

Quanto a Jair Messias, nem um pio – pelo menos até o fim da tarde. Melhor assim. No interior de São Paulo, ele se distraiu e vestiu a camisa de um time local – camisa vermelha. 

Será que Putin vai entender a mensagem?

Esse é o estado ao qual chegamos. Mais até que simplesmente isolados do mundo, navegamos num mar de ridículo. Se antes merecíamos o respeito lá fora, agora causamos um misto de espanto e riso.

O problema é que a conta vai chegar, e quem vai pagar não são os integrantes deste governo absurdo: seremos todos nós.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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