Para início de conversa, se vitoriosa em 2018, a oposição terá força, legitimidade e maioria para fazer as mudanças que quiser sobre o assunto.
Então, é pueril o argumento de que um dos erros da proposta aprovada pelo Senado é que o governo hipotético da oposição pós-Dilma usaria a lei para alijar completamente a empresa.
Ela poderá fazer muito mais do que isso, incluindo a privatização.
Em relação à nova legislação em si, ela apenas desobriga a Petrobrás de estar em todas as operações. A empresa vai escolher onde estar e pode, inclusive, estar em todas, assim que reunir melhores condições.
Mas em períodos como este, de crise fiscal e dificuldade de investimento, agravado pelas consequências das empresas arroladas na Lava-Jato, cruciais para a cadeia do petróleo e empreendimentos da empresa, poderá firmar parcerias para não permitir retrocessos na exploração do pré-sal, preservando a força internacional da empresa e os dividendos voltados à educação e à saúde. Além, claro, das composições economico-políticas para enfrentar estes tempos de enorme pressão interna e externa.
Logo, inexiste perda de soberania e, sim, mais possibilidades para proteger a empresa dos impasses fiscais e ataques econômicos e políticos, favorecendo a recuperação dela para retomar – e não apenas preservar, com alto custo político – o modelo de desenvolvimento exitoso desde 2003, que tirou 64 milhões da fome e da miséria, e gerou 20 milhões de empregos.
Nesta conjuntura, a prioridade é construir soluções transitórias e conquistar apoios. Como lembrou o ministro Ricardo Berzoini, a política não é tudo ou nada.
A centro-esquerda deve estar engajada neste rumo e com este foco, pois, no mais, as políticas sociais estão mantidas, o salário mínimo aumentou, os juros estão administrados e com tendência de elevação interrompida, e a governabilidade respirando.
O fato mais importante da semana não foi este e sim a denúncia da Lava-Jato como manobra política contra Dilma, Lula e o PT, feita também pelo ministro Berzoini.
Exigir o fim da Lava-Jato como processo político e o julgamento das denúncias contra o PSDB deveriam interessar mais neste quadrante em que a ruas voltarão a se polarizar.
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