Filha de delator pagou R$ 260 mil a empresa de filhos de Yunes

A filha do engenheiro Shinko Nakandakari, delator da Operação Lava Jato, pagou R$ 260 mil à empresa Yuny Projetos Imob, dos filhos do advogado José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Michel Temer; o pagamento consta de laudo de perícia criminal, da Polícia Federal; Shinko Nakandakari é apontado pelos investigadores como operador de propina da empreiteira Galvão Engenharia; revelação dificulta ainda mais a versão de que Yunes teria sido mera "mula" para o dinheiro da propina

José Yunes e Michel Temer
José Yunes e Michel Temer (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Um laudo de perícia criminal da Polícia Federal diz que a filha do engenheiro Shinko Nakandakari, delator da Operação Lava Jato, pagou R$ 260 mil à empresa Yuny Projetos Imob, controlada pelos filhos do ex-assessor especial da Presidência da República e advogado José Yunes. O pagamento de Juliana Nakandakari para a empresa de Marcos e Marcelo Mariz de Oliveira Yunes consta de laudo de perícia criminal, da Polícia Federal. Shinko Nakandakari é apontado pelos investigadores como operador de propina da empreiteira Galvão Engenharia.

As informações são de reportagem de Julia Affonso, Fábio Serapião e Beatriz Bulla no Estado de S.Paulo.

“'Juliana Sendai Nakandakari: As principais entradas foram oriundas da Galvão Engenharia da Contreras Comércio de Materiais, totalizando aproximadamente RS 1,98 milhão. As principais saídas identificadas deram-se para contas de Shinko Nakandakari (RS 924 mil), Yuny Projetos Imob (R$ 260 mil) e saques em espécie (RS 225 mil)', apontou a Federal sem informar em que ano se deu a transferência.

Amigo do presidente Michel Temer há 50 anos, José Yunes foi citado na delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. Segundo o executivo, o escritório de Yunes em São Paulo era um dos lugares usados para entrega de dinheiro destinado às campanhas do PMDB.

Yunes disse ter intermediado o recebimento e entrega de ‘um envelope’ para o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, em 2014. O ex-assessor relatou ter recebido o doleiro Lúcio Funaro, apontado por investigadores da Lava Jato como operador de propinas do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Nas contas de Luis Fernando Nakandakari, a PF identificou que ‘a principal origem dos recursos do investigado foram resgates de aplicações financeiras existentes antes do início do período do afastamento do sigilo bancário (líquido de R$ 4,6 milhões)’. A principal saída foi destinada ao pai, RS 2,3 milhões."

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