Lédio de Andrade: como Getúlio e Tiradentes, Lula é um perseguido político

O desembargador aposentado Lédio Rosa de Andrade, ao analisar as arbitrariedades envolvendo a condenação do ex-presidente Lula, faz um resgate histórico demonstrando que não há nenhuma novidade na postura parcial do judiciário brasileiro; "Assim como Getúlio e Tiradentes, Lula é um perseguido político", afirma; assista a íntegra da entrevista

Lédio de Andrade: como Getúlio e Tiradentes, Lula é um perseguido político
Lédio de Andrade: como Getúlio e Tiradentes, Lula é um perseguido político

TV 247 - O desembargador aposentado e pré-candidato ao Senado pelo Estado de Santa Catarina, Lédio Rosa de Andrade, concedeu entrevista à TV 247 relatando as arbitrariedades do judiciário brasileiro, que abandonou o princípio da presunção de inocência e age com imparcialidade nas condenações. Ele considera que, assim como Getúlio Vargas e Tiradentes, Lula é um perseguido político.

O desembargador, que passou a advogar após se aposentar, afirma que seu ofício é algo muito difícil no Brasil, pois as regras não são mais claras. "Existe todo um ritual que traduz a segurança jurídica, mas tudo isso não vale mais nada, com diversas manobras sendo executadas", lamenta. 

"Ultimamente, você fica sabendo de atos processuais através da televisão, ou seja, existem parcelas da magistratura que agem da forma que convém, seja para benefícios escusos ou para aparecer na mídia, ganhando, desta forma, notoriedade", relata Lédio de Andrade. 

Lédio de Andrade classifica o processo de Lula como "político" e o considera um perseguido. "O ex-presidente está preso apenas por fatos indeterminados, o próprio Sérgio Moro disse que Lula foi condenado por indícios, chegando ao ponto de incluir manchetes de jornal no processo", critica. 

O magistrado segue apontando contradições na figura do juiz. "Sérgio Moro hora é juiz, hora é promotor, atua também como policial, só falta virar carcereiro". 

Ao analisar a condenação do ex-presidente, ele observa no rito do processo atos combinados previamente. "Chega ao ponto do descuido, quando um tribunal decide algo lá em Porto Alegre (TRF-4) e, quarenta minutos depois, o ministro (Edson Fachin) já tem uma decisão pronta de arquivar a pauta, não daria tempo de o ministro elaborar uma sentença, foge a lógica", explicita, Lédio de Andrade.  

Ele faz um resgaste histórico ao afirmar que não é a primeira vez no Brasil que lideres políticos são perseguidos. "Veja o exemplo do ex-presidente Getúlio Vargas, que cometeu suicídio e foi acusado de corrupção, ou a morte de Tiradentes, todo mundo pensa que foi um bandido que o executou, mas foi um juiz de direito que deu a sentença. A história se repete agora com Lula", elucida. 

Os ex-presidentes Lula e Dilma nomearam onze, dos oito ministros que ocupam as cadeiras do STF. Na opinião do magistrado, ambos subestimaram o poder ideológico que o poder judiciário possui. "Nos EUA, quando um presidente republicano é eleito, ele nomeia um presidente da Suprema Corte com ideais republicanos, e os democratas fazem a mesma coisa, isso não é problema nenhum", defende. 

Lédio de Andrade afirma que, apesar das arbitrariedades do judiciário, há juristas honestos e progressistas. "Existe um grupo intitulado Juízes pela Democracia, com mais de 700 filiados, que agem de forma honesta e procuram agir de forma correta", conclui. 

Inscreva-se na TV 247 e confira a entrevista com Lédio Rosa de Andrade

 

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