Luis Felipe Miguel aponta a “novembrada de Temer (e a abjeção de Doria)”

Cientista político Luiz Felipe Miguel recorda que em novembro de 1979 o general João Figueiredo foi a Florianópolis numa tentativa de popularização, mas ele e sua comitiva "apanharam do povo"; "O episódio passou à história como 'a novembrada'"; "Michel Temer recebeu sua cota de xingamentos, chutes e pedradas ao tentar visitar os atingidos pelo desabamento do prédio em São Paulo", acrescenta; "Doria preferiu faturar politicamente escarnecendo das vítimas, a quem acusou de pertencer a uma 'organização terrorista'"; "Qual é mesmo a diferença entre Doria e Bolsonaro?"

Cientista político Luiz Felipe Miguel recorda que em novembro de 1979 o general João Figueiredo foi a Florianópolis numa tentativa de popularização, mas ele e sua comitiva "apanharam do povo"; "O episódio passou à história como 'a novembrada'"; "Michel Temer recebeu sua cota de xingamentos, chutes e pedradas ao tentar visitar os atingidos pelo desabamento do prédio em São Paulo", acrescenta; "Doria preferiu faturar politicamente escarnecendo das vítimas, a quem acusou de pertencer a uma 'organização terrorista'"; "Qual é mesmo a diferença entre Doria e Bolsonaro?"
Cientista político Luiz Felipe Miguel recorda que em novembro de 1979 o general João Figueiredo foi a Florianópolis numa tentativa de popularização, mas ele e sua comitiva "apanharam do povo"; "O episódio passou à história como 'a novembrada'"; "Michel Temer recebeu sua cota de xingamentos, chutes e pedradas ao tentar visitar os atingidos pelo desabamento do prédio em São Paulo", acrescenta; "Doria preferiu faturar politicamente escarnecendo das vítimas, a quem acusou de pertencer a uma 'organização terrorista'"; "Qual é mesmo a diferença entre Doria e Bolsonaro?" (Foto: Leonardo Lucena)

Por Luis Felipe Miguel, em seu Facebook

Em 30 de novembro de 1979, o general João Figueiredo foi a Florianópolis. Ele assumira a presidência em março e, numa tentativa desesperada de popularização do regime militar, desfilava pelo país fazendo comícios. Era vendido como "João, o presidente da conciliação". O ex-chefe do SNI, de semblante fechado e sempre com soturnos óculos escuros, fora remodelado como um cavalariano rude mas sincero, capaz de se comunicar com o povão.

Mas em Florianópolis tudo deu errado. A pequena multidão reunida na praça XV de Novembro para saudar o general preferiu aderir ao protesto que um grupo de estudantes estava promovendo - e, ainda mais, coloriu o protesto com suas palavras de ordem preferidas, em especial "um, dois, três, quatro, cinco, mil, eu quero que Figueiredo vá pra puta que o pariu". Irritado, ele desceu do balcão do palácio Cruz e Sousa, onde deveria discursar, e foi para a praça, pretendendo, segundo disse, "dialogar com os manifestantes".

Resultado: Figueiredo e sua comitiva apanharam do povo nas ruas de Florianópolis. O episódio passou à história como "a novembrada".

Hoje, Michel Temer recebeu sua cota de xingamentos, chutes e pedradas ao tentar visitar os atingidos pelo desabamento do prédio em São Paulo (xingamentos para ele, chutes e pedradas só em seu veículo). As pessoas não queriam ganhar a falsa solidariedade do golpista. Entendem muito bem que são vítimas do descaso histórico dos governos com a questão da moradia popular - e que o golpe só piorou a situação, com suas políticas abertamente antipovo.

Figueiredo, em 1979, tentava implantar uma estratégia de marketing absurda, saída da mente de Said Farhat, então tido como "mago" da publicidade governamental. Já Temer parece absolutamente incapaz de se olhar no espelho e entender que é tão impopular, tão malquisto, tão desagradável a todos os brasileiros, tão tóxico, que a única maneira de melhorar sua imagem seria conseguindo se afastar de si mesmo.

Mas, como tudo pode ficar pior, depois aparece João Doria. Temer tentou, é verdade que desastradamente, usar a tragédia para se mostrar "solidário". Doria preferiu faturar politicamente escarnecendo das vítimas, a quem acusou de pertencer a uma "organização terrorista".

Qual é mesmo a diferença entre Doria e Bolsonaro?

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