'Brasil gastou poupança na Disney', diz economista

Na avaliação de Paulo Leme, que comanda o banco Goldman Sachs no Brasil, o modelo econômico brasileiro baseado no consumo trouxe como resultados déficit externo e inflação; sua expectativa é que o crescimento do País esteja "muito próximo a 2%"

Na avaliação de Paulo Leme, que comanda o banco Goldman Sachs no Brasil, o modelo econômico brasileiro baseado no consumo trouxe como resultados déficit externo e inflação; sua expectativa é que o crescimento do País esteja "muito próximo a 2%"
Na avaliação de Paulo Leme, que comanda o banco Goldman Sachs no Brasil, o modelo econômico brasileiro baseado no consumo trouxe como resultados déficit externo e inflação; sua expectativa é que o crescimento do País esteja "muito próximo a 2%" (Foto: Gisele Federicce)
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247 – O Brasil gastou sua poupança na Disneylândia, afirma o economista Paulo Leme, no comando do banco Goldman Sachs no Brasil. Ele explica melhor sua avaliação, numa entrevista à Folha neste domingo: "Se você toma empréstimos no exterior ou atrai investimento direto estrangeiro e, com isso, investe em indústrias ou atividades que geram receitas em dólares no futuro, o pagamento dos juros dessa dívida está garantido".

No caso do Brasil, porém, diz ele, "os empréstimos foram queimados com turismo da Disneylândia, malas cheias de bens vindas de Nova York ou Miami. Essa conta vai chegar". Leme afirma que a política fiscal "está muito expansionista" e que isso traz como resultados o aumento da inflação e a contribuição para o déficit em conta-corrente.

"Em vez de gastar com hospitais, escolas, transporte público, o governo está gastando em salários, aposentadorias", diz. A solução, quando a dívida terá de ser paga, será a desaceleração da economia, a redução do consumo e os salários reais, o que é feito através de maior desemprego, explica o economista. Além disso, diz ele, será preciso "desvalorizar o real, tornar a economia mais competitiva".

A expectativa de Leme para o crescimento da economia brasileira é de "muito próximo a 2%", segundo ele, "infelizmente, em razão de baixos investimentos e da queda na produtividade". Já "o crescimento sustentável de longo prazo está próximo a 3%, provavelmente abaixo disso, o que é bem menos do que eu esperava há um ano", afirma.

Questionado se a economia pode interferir na reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014, Leme avalia que se as manifestações que varreram o País em junho forem relacionadas ao baixo crescimento, isso já mudou a perspectiva eleitoral: do que "parecia altamente provável a reeleição da presidente para um cenário que pode ser o de uma eleição bastante competitiva". Para ele, quem quer que seja, o próximo presidente terá um primeiro ano difícil: "pode ser um pequeno desafio ou pode ser problemático".

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