Governo Bolsonaro joga leilão do 5G para 2021 em meio a uma intensa guerra global

Numa batalha geopolítica global pela tecnologia 5G, dominada pela China e contra a qual se insurge os EUA, governo Bolsonaro deve adiar leilão no Brasil para 2021. Exclusão dos chineses é exigência de Trump

Jair Bolsonaro, Donald Trump, Xi Jinping e Huawei
Jair Bolsonaro, Donald Trump, Xi Jinping e Huawei (Foto: Reuters)
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247 - A definição do 5G tornou-se um dos centros da luta geopolítica global que os EUA movem contra a China e deve adiar o leilão brasileiro para 2021. O governo Bolsonaro está dividido entre entre os interesses econômicos do Brasil, que apontam para uma quase certa vitória da chinesa Huawei, e o alinhamento do bolsonarismo com Donald Trump e os EUA. O agendamento do processo para 2021 já é dado como certo pela ala política do Executivo e pelo Ministério das Comunicações, segundo os jornalistas Fernando Exman, Fabio Murakawa e Andrea Jubé, do Valor Econômico.

Há intensa pressão dos EUA para tirar a Huawei da concorrência no Brasil. O embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Todd Chapman, afirmou no fim de junho,, em entrevista à jornalista Sônia Racy, no jornal Estado de S. Paulo, que o governo Trump não pretende permitir que o Brasil adquira tecnologia chinesa no 5G – a internet de altíssima velocidade. "É um tema muito importante para nós. Tanto que o governo americano já nos informou que pretende investir em projetos de 5G no Brasil que usem equipamentos de empresas americanas ou do que chamamos de 'trusted supplyer', parceiros confiáveis", disse ele, citando companhias como Nokia, Samsung e Ericsson.

Ao ser questionado sobre a Huawei, ele explicitou seu veto. "Não, porque a Huawei é uma mangueira com muitos furos, que vaza informações para a China. Trata-se do mesmo problema que temos com a covid-19: falta de transparência. A tecnologia chinesa é excelente, mas, quando ela é usada para reprimir os direitos das pessoas, se torna um instrumento negativo. Em países autoritários, a tecnologia é usada para reprimir, não para libertar. E esse princípio, da liberdade, precisa ser defendido", afirmou.

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