Sob o neoliberalismo de Bolsonaro e Guedes, Brasil recebe o menor fluxo de investimento direto em cinco anos

De acordo com dados do Banco Central, o ingresso líquido de investimentos diretos no Brasil (IDP) despencou a US$ 174 milhões em junho, nível mensal mais baixo em cinco anos

Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes
Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: Agência Brasil)
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Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O ingresso líquido de investimentos diretos no Brasil (IDP) despencou a 174 milhões de dólares em junho, nível mensal mais baixo em cinco anos, sob o impacto de uma redução dos empréstimos feitos pelas matrizes das empresas estrangeiras a suas subsidiárias no país, mostraram dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central.

Já os investimentos em renda fixa, ações e fundos de investimentos registram novo mês de fluxos fortes, de 5,1 bilhões de dólares, confirmando a recuperação dos ingressos para portfólio após o baque sofrido no ano passado em meio à crise da pandemia.

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O dado mensal do IDP foi o mais baixo desde julho de 2016 (-103 milhões de dólares) e contrasta com um fluxo positivo de investimentos diretos de 5,164 bilhões de dólares em junho de 2020. Mas o número parcial deste mês já aponta uma recuperação dos ingressos, e a entrada de investimentos diretos no primeiro quadrimestre foi revisada para cima.

Segundo o BC, em junho o dado sofreu o efeito de uma saída de 2,3 bilhões de dólares em operações intercompanhia, refletindo uma queda dos desembolsos de operações de crédito intercompanhia. A conta de lucros reinvestidos no país também foi negativa, com as empresas optando por remeter a suas sedes um volume de recursos superior ao lucro auferido no mês.

O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, disse que os resultados foram "normais", indicando não ver uma reversão da tendência de crescimento do IDP esperada para o ano.

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No acumulado do semestre, o ingresso de IDP supera o registrado no mesmo período de 2020, somando 25,691 bilhões de dólares, ante 23,724 bilhões de dólares no ano passado. Para julho, o BC estima IDP de 4,7 bilhões de dólares, com base em dados preliminares.

Já os investimentos em portfólio acumulam ingressos de 44,6 bilhões de dólares em 12 meses. Em junho de 2020, essa conta, tradicionalmente muito mais volátil do que o IDP, registrou saída de 47,6 bilhões de reais em 12 meses.

TRANSAÇÕES CORRENTES

As transações correntes do país foram superavitárias em 2,791 bilhões de dólares em junho, abaixo dos 3,5 bilhões de dólares esperados por analistas, segundo pesquisa da Reuters.

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Em 12 meses, o país ainda acumula déficit de 1,27% do PIB em suas trocas com o exterior.

Os dados das contas externas do primeiro quadrimestre deste ano e do ano de 2020 foram revisados pelo BC levando em conta informações prestadas pelas empresas em pesquisa anual sobre capitais brasileiros no exterior.

A revisão ordinária elevou em 3,6 bilhões de dólares o déficit em transações correntes apurado de janeiro a maio, enquanto o IDP sofreu acréscimo de 3 bilhões de dólares.

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Já o fluxo de IDP de todo o ano de 2020 aumentou em 10,5 bilhões de dólares, para 44,7 bilhões de dólares, enquanto o déficit em transações correntes foi elevado em 1,8 bilhão de dólares, para 24,1 bilhões de dólares.

(Com reportagem adicional de Camila Moreira)

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