Altman defende passagem da faixa de Dilma para Lula: “é o que teria acontecido se não fosse o golpe”

Jornalista citou exemplo colombiano da posse de Gustavo Petro e afirmou que, se Dilma assumisse tal função, o gesto seria o símbolo da “volta à normalidade”

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(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil 247 | Ricardo Stuckert)


247 - Em participação na TV 247, o jornalista Breno Altman defendeu que, caso Jair Bolsonaro (PL) não passe a faixa presidencial ao chefe do Executivo eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quem deveria assumir tal função - simbolicamente - seria a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que teve seu mandato interrompido por um golpe de Estado. Tal gesto, na visão do jornalista, simbolizaria uma “volta à normalidade.”

Em sua introdução ao assunto, Altman justificou que a passagem da faixa não é um rito constitucional e pode ser organizada com ‘razoável liberdade’: “o desenho da posse é um debate interessante. É provável que o Bolsonaro não vá passar a faixa. Aliás, nem a Constituição e nem qualquer lei prevê o protocolo da passagem da faixa; o que é previsto constitucionalmente é o juramento presidencial que é feito no Congresso Nacional. Isso tem um rito, o Congresso é quem dá posse ao presidente da República. A passagem não é um rito legal, é um rito simbólico, que pode ser organizado com razoável liberdade”.

“Na Colômbia também”, acrescentou o jornalista. “E vou citar um exemplo interessante: quem passou a faixa para Gustavo Petro foi uma senadora, María José Pizarro, que era filha do Carlos Pizarro, que foi o último comandante em chefe do Movimento 19 de Junho, movimento guerrilheiro ao qual pertenceu Gustavo Petro. Esse movimento fez uma negociação de paz em 1990, transformou-se em partido político (Aliança Democrática M19), o Carlos Pizarro vira candidato à presidência da República e é assassinado dentro de um avião durante a campanha presidencial, por um pistoleiro ligado às Autodefesas Unidas da Colômbia, um grupo paramilitar de extrema direita”.

“Anos e anos depois, a filha de Carlos Pizarro é eleita senadora da República, e nesta condição passa a faixa para Gustavo Petro, na posse dele na Colômbia. Eu penso que o simbólico dessa posse no Brasil seria a presidente Dilma Rousseff passar a faixa para o Lula. Esse seria o simbólico: ela ser convidada a passar a faixa para o presidente Lula, que é o que teria acontecido se o país não tivesse tido seu processo interrompido por um golpe de Estado. Dilma teria chegado ao final de seu mandato em 2018, é provável que Lula tivesse sido candidato e sido eleito, e a passagem de faixa seria da Dilma Rousseff para o presidente Lula. Então, um símbolo da retomada dessa normalidade seria exatamente que a presidente Dilma estivesse no alto do Palácio do Planalto passando a faixa para o presidente Lula”, concluiu Altman.

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