Delegado da PF: áudio foi liberado com ‘velocidade espantosa’

Delegado licenciado da Polícia Federal, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, diz estar com "bastante preocupação" sobre a "velocidade espantosa" com a qual o juiz Sérgio Moro liberou os grampos feitos em ligações telefônicas do ex-presidente Lula; "As coisas estão andando com uma velocidade, de uma forma que nunca foi vista antes. Áudio é gravado 13h e às 16h já está na imprensa? Se é essa a forma que hoje os brasileiros esperam de se fazer e se buscar justiça, independente do conteúdo, da análise que se possa fazer disso, de quem estava falando, eu acho que nós estamos correndo um risco muito grande"

Maurício Barbosa
Maurício Barbosa (Foto: Romulo Faro)

Bahia 247 - Delegado licenciado da Polícia Federal, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, diz estar com "bastante preocupação" sobre a "velocidade espantosa" com a qual o juiz federal Sérgio Moro liberou os grampos feitos em ligações telefônicas do ex-presidente Lula.

"As coisas estão andando com uma velocidade, de uma forma que nunca foi vista antes. Acho que a justiça deve ser feita e a população tem muitas expectativas em relação a isso. Mas a partir do momento em que a gente acelera esse processo ou tem determinadas atitudes sendo tomadas em uma espécie de vale tudo, o futuro fica incerto", afirmou Maurício Barbosa nesta quinta-feira (17).

O secretário de segurança disse ainda que nos 15 anos em que atuou como delegado da Polícia Federal nunca observou um processo ser divulgado de forma tão rápida.

"Eu posso dizer em cima das avaliações que eu faço, como profissional de polícia: áudio é gravado 13h e às 16h já está na imprensa? Se é essa a forma que hoje os brasileiros esperam de se fazer e se buscar justiça, independente do conteúdo, da análise que se possa fazer disso, de quem estava falando, eu acho que nós estamos correndo um risco muito grande. E se está acontecendo com autoridades de uma alta instância, pode acontecer com qualquer pessoa", alertou.

Embora afirme que não está fazendo "juízo de valor" de qualquer um dos envolvidos no caso, o secretário criticou com veemência a forma como Moro tratou as informações obtidas.

"Hoje o juízo por parte do juiz que estava sendo responsável pela medida cautelar de que havia uma situação criminosa nas falas, ele não seria a autoridade responsável, porque temos ministros e uma presidente da República falando. Se na avaliação dele a conversa não tem cunho criminal e sim um cunho de natureza política, não é ele que tem que fazer essa avaliação. Já abriu o sigilo das gravações e menos de duas horas depois esses áudios já estarem sendo divulgados na imprensa. O que se espera de um juiz é imparcialidade. Pelo que eu estou observando, já há uma presunção de culpabilidade expostas pelo juiz, a partir do momento em que ele diz que aqueles áudios carregam um forte interesse público. Essa é uma avaliação que cabe ao magistrado? Isso que agora o STF vai ter que dizer".

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