Em artigo, líderes de cinco partidos criticam corrupção de Moro

"A Lava Jato se ergueu em torno do tema da corrupção. Agora, mesmo os que a defendem têm o dever de afastá-la deste mesmo pecado: o da corrupção", diz o texto assinado por liderenças de PT, PSB, PCdoB, PSOL e MDB, incluindo os presidenciáveis Fernando Haddad e Guilherme Boulos

Brazil's Justice Minister Sergio Moro attends a session of the Public Security commission at the National Congress in Brasilia, Brazil May 8, 2019. REUTERS/Adriano Machado
Brazil's Justice Minister Sergio Moro attends a session of the Public Security commission at the National Congress in Brasilia, Brazil May 8, 2019. REUTERS/Adriano Machado (Foto: Foto: Reuters/ADRIANO MACHADO)

247 - Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira (25), líderes de seis partidos políticos do campo progressista criticaram o que chamam de "corrupção de Moro".

"Em 2018, o Brasil viveu cenário análogo, só que o golpe se materializou pela atuação de um juiz, o que justifica indignação similar à manifestada por Tancredo naquela tenebrosa noite.  Não se trata de questionar a justa e necessária luta contra a corrupção —que também é nossa, desde muito antes da Lava Jato", diz o texto assinado por Fernando Haddad, candidato à Presidência da República (PT), Flávio Dino, Governador do Maranhão (PC do B), Guilherme Boulos, candidato à Presidência da República (PSOL),  Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba (PSB), Roberto Requião, ex-senador da República (MDB) e Sônia Guajajara, candidata à Vice-Presidência da República (PSOL).

No artigo, os autores ligam a condenação do ex-presidente Lula (PT) e a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL) com a condução da operação Lava Jato, conduzida pelo Ministério Público, mas com interferência do ex-juiz Sérgio Moro.

"Está evidente, mais do que nunca, que não houve tratamento igualitário às partes. O estranho andamento do processo estava à vista de todos: PowerPoint, condução coercitiva ilegal, escuta abusiva de advogados, correria desesperada para realizar os julgamentos. Tudo agora está explicado por intermédio das conversas publicadas pelo Intercept", diz o texto.

"A Lava Jato se ergueu em torno do tema da corrupção. Agora, mesmo os que a defendem têm o dever de afastá-la deste mesmo pecado: o da corrupção. Pois não há outra palavra para definir o que ocorreu nesse lamentável episódio. Os fins não justificam os meios. E fraudar os meios corrompe o direito e a Justiça", finalizam os autores. 

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