Patrícia Zaidan sobre Editora Abril: quem usa mão de obra e não paga está roubando

Em entrevista à TV 247 a jornalista Patrícia Zaidan contou o drama vivido pelos funcionários demitidos pela Editora Abril e conversou sobre jornalismo e feminismo; Patrícia também fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro e relembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco

Patrícia Zaidan sobre Editora Abril: quem usa mão de obra e não paga está roubando
Patrícia Zaidan sobre Editora Abril: quem usa mão de obra e não paga está roubando

247 - A TV 247 recebeu nesta segunda-feira 18 a jornalista e editora, por 19 anos, da revista Claudia, Patrícia Zaidan que comentou sobre a grave crise da Editora Abril e a demissão em massa de seus trabalhadores que completou 6 meses no dia 15 de fevereiro. Patrícia afirma que os funcionários da editora não imaginavam que seriam demitidas 804 pessoas de uma só vez.

Patrícia conta que a dívida trabalhista da Editora Abril é de R$ 73 milhões e que o patrimônio pessoal dos herdeiros da empresa está avaliado em R$ 3,3 bilhões segundo a revista Forbes. Isso significa que com menos de 7% do patrimônio dos proprietários da editora, a dívida com todos os trabalhadores e freelancers estaria quitada.

De acordo com a jornalista, os trabalhadores demitidos vivem situações muito difíceis atualmente. "Temos colegas hoje lavando banheiro em bar da Vila Madalena para poder sobreviver, temos pessoas que tinham cirurgia marcada para a filha e que chegando no hospital encontraram seu plano de saúde cancelado pela Abril, tivemos caso de colegas que entraram em depressão e até que desistiram de querer viver".

Patrícia conta que para fazer com que a Abril se sentisse constrangida com a falta de pagamento de salários, os funcionários atrasaram a distribuição das revistas Veja em outubro do ano passado. "Quem usa a mão de obra e não paga está roubando, é algo que era nosso e nos foi tirado. Nós fomos até a porta da gráfica da Veja por duas vezes e atrasamos a saída dos caminhões que levavam as revistas. Na segunda vez os funcionários se deitaram no chão para impedir a passagem dos caminhões. Fizemos isso para que a Abril tivesse que explicar aos seus anunciantes o porquê do atraso, era uma forma de alguém tão insensível sentir minimamente o que eles estavam fazendo conosco".

Patrícia Zaidan também conversou sobre jornalismo e feminismo e contou que sua inspiração ao entrar na revista Claudia foi a jornalista Carmen da Silva, por toda sua luta pelas mulheres. "Carmen da Silva tinha contato com as feministas do mundo inteiro e traduzia o debate para as mulheres brasileiras. Ela foi uma mulher que falou de aborto nos anos 60. Quando eu entrei na revista Claudia eu tentei ressuscitar isso".

Sobre o feminicídio, Patrícia acredita que os números da "matança" contra as mulheres estão crescendo e que o índice de crueldade também está aumentando. "Antes os casos poderiam parar, terrivelmente, em um soco ou um solavanco, mas o índice de crueldade está crescendo muito, é tortura."

A jornalista opinou sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro de legalizar o porte de armas. "Temos uma mulher assassinada a cada duas horas, o Brasil é um país que jamais poderia deixar as armas entrarem em casa. Esse sangue que já corre dentro de casa pode ganhar proporções terríveis".

Patrícia também comentou sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. "Hoje eu tenho certeza plena que já se sabe quem matou Marielle e quais interesses tinha essa pessoa. A gente sabe que é impossível que a polícia do Rio de Janeiro não tenha até nesse momento a história real do assassinato dessa moça que seria uma grande parlamentar brasileira e que estava só começando".

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