Assad: quanto mais avançamos, mais o Ocidente apoia os terroristas

Em entrevista publicada neste domingo (10) pelo Daily Mail, o presidente sírio afirmou que "não houve ataque" químico em Douma. Foi uma encenação preparada pelos EUA e seus "satélites": França e Reino Unido

rebeldes síria
rebeldes síria (Foto: Reinaldo)

247, com AbrilAbril - Bashar al-Assad acusa o Ocidente de ter defendido a guerra na Síria desde o início, "apoiando os terroristas que começaram a fazer explodir tudo, a matar tudo e todos, e a cortar cabeças".

Referindo-se concretamente à luta contra o o autoproclamado Estado Islâmico, disse que foi o Exército sírio que assumiu a parte principal dessa luta, com o apoio dos russos e dos iranianos.

Acrescentou que "ninguém mais faz o mesmo, nem sequer de forma parcial", e acusou a aliança militar ocidental liderada pelos norte-americanos de, "na verdade, andar a ajudar o Estado Islâmico".

A propósito da presença de tropas estrangeiras em território sírio, o chefe de Estado caracterizou a intervenção norte-americana e britânica como "ilegal" e "ilegítima", e como "uma violação da soberania da Síria – um país soberano". Usou estes termos para mostrar a diferença da presença militar russa e da iraniana em território sírio, em ambos os casos "legítimas" porque dão sequência a convites feitos por Damasco.

Destacou as boas relações que o seu país mantém "com a Rússia há mais de seis décadas" e o fato de, nesse período, os russos "nunca tentarem impor-se, mesmo quando há divergências". Em última instância, "a decisão sobre o que se passa ou o que vai acontecer na Síria é uma decisão síria", frisou.

O governante sírio refutou como infundadas as teses sobre uma suposta coordenação entre Israel e Rússia na Síria. "A Rússia nunca se articulou com ninguém contra a Síria, tanto em nível político como militar, e isso é uma contradição", disse, para perguntar em seguida como é que os russos "podiam estar a ajudar o Exército sírio a avançar e, ao mesmo tempo, estar a trabalhar com os inimigos [da Síria] para destruir o seu Exército?".

Ataque químico em Douma: uma "mentira" encenada a três

Sobre o alegado ataque químico em Douma, em Ghouta Oriental, na região de Damasco, Bashar al-Assad afirmou que foi encenado conjuntamente pelos EUA e os seus "satélites" França e Reino Unido.

A este propósito o presidente sírio dirigiu fortes acusações ao Reino Unido, lembrando que este país "apoiou publicamente" e "gastou muito dinheiro" com os Capacetes Brancos, que são "uma ramificação da Al-Qaeda e da al-Nusra em várias partes da Síria", e foram a organização diretamente envolvida na encenação e divulgação do ataque químico em Douma, em 7 de Abril último.

"Foi uma mentira; sobretudo depois de libertarmos aquela área, os nossos serviços confirmaram que o ataque nunca ocorreu", disse al-Assad, sublinhando que muitos jornalistas visitaram a região após a libertação e não encontraram sinais de ataque algum.

"Não houve qualquer ataque; é aqui que a mentira começa. Mais uma vez, a questão não era o ataque […], mas minar o governo sírio, da mesma forma que eles [EUA, França, Reino Unido] precisavam de mudar e derrubar o governo sírio no início da guerra", disse.

O chefe de Estado sírio sublinhou que irá libertar todo o território do seu país, por mais ameaças que sejam feitas pelos inimigos da Síria. Questionado sobre o tempo de tal empreendimento, respondeu que sempre disse que o "conflito poderia estar resolvido em um ano".

O que complica a questão é a "ingerência externa": "Quanto mais avançamos, mais o Ocidente apoia os terroristas", denunciou, salientando que os EUA, o Reino Unido e a França "irão tentar prolongar" a guerra e tornar "mais distante a solução dos sírios".

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