Assange comparece em audiência no tribunal de Londres por videoconferência

O fundador do Wikileaks Julian Assange apareceu nesta segunda-feira por videoconferência em uma audiência antes do reinício do julgamento de extradição para os Estados Unidos

Julian Assange
Julian Assange (Foto: REUTERS / Simon Dawson)
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247 - De acordo com relatórios das poucas pessoas que tiveram acesso ao Tribunal de Westminster, na segunda-feira, Assange parecia cansado e triste, e só interveio para dizer seu nome e data de nascimento, a pedido da juíza Vanessa Baraitser.

O jornalista australiano não comparecia às audiências preliminares desde 7 de abril por causa de problemas de saúde e temores de contágio da Covid-19 na prisão de segurança máxima onde está preso desde que foi retirado à força da embaixada do Equador em Londres, em 11 de abril de 2019.

Durante a audiência, o Juiz Baraitser confirmou que o julgamento de extradição, que começou em fevereiro passado, mas depois foi suspenso por causa da pandemia, será retomado no dia 7 de setembro no Old Bailey Court, no centro de Londres, informa a Prensa Latina.

A juíza disse que naquela data espera poder contar com a presença física de todos os envolvidos no processo, incluindo Assange.

Após sua prisão na embaixada do Equador, o fundador do Wikileaks foi condenado a 50 semanas de prisão por violar um vínculo concedido em 2012 pelo sistema judiciário britânico em conexão com uma suposta acusação de crime sexual que foi posteriormente arquivada pela Suécia.

Após cumprir sua sentença, Baraitser determinou que Assange deveria esperar na prisão pelo veredito sobre uma ordem de extradição apresentada pelos Estados Unidos, que quer julgá-lo por publicar no WikiLeaks centenas de milhares de documentos e arquivos secretos da diplomacia e do Exército dos Estados Unidos.

Se for entregue aos tribunais dos EUA, o ciberativista australiano poderia ser condenado a 175 anos de prisão em 18 acusações que vão desde conspiração para cometer espionagem até invasão de computadores.

Em junho passado, o Ministério Público dos EUA ampliou o âmbito do crime de conspiração para também acusá-lo de recrutar hackers, incentivando outros a buscar informações confidenciais e conspirando para acessar um computador do Departamento de Defesa dos EUA.

O juiz britânico advertiu na segunda-feira, entretanto, que estas novas acusações não foram oficialmente comunicadas ao tribunal.

O atual editor-chefe do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, que alegou que Assange não conseguiu se reunir com seus advogados nas últimas 17 semanas, disse que a mudança nas acusações é algo sem precedentes, depois de salientar não trouxeram 'nada de novo' para o caso.

O que está realmente acontecendo aqui é que, apesar de uma década de preparação, a acusação ainda é incapaz de construir um caso confiável e coerente, disse Hrafnsson em uma declaração.

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