Invasão na Venezuela poderia levar à crise política no Brasil, avisa analista

"Qualquer aventura militar de Bolsonaro contra a Venezuela levaria a uma crise política interna [...] Milhões de pessoas, apoiadores do socialismo, iriam para as ruas e, como eu acredito, perturbariam essa intervenção", avalia o ex-diplomata Nikolai Platoshkin à Sputnik

Invasão na Venezuela poderia levar à crise política no Brasil, avisa analista
Invasão na Venezuela poderia levar à crise política no Brasil, avisa analista (Foto: Sputinik)

Sputnik - Comentando a possível participação em uma invasão militar na Venezuela, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro declarou que, caso ocorra [a intervenção na Venezuela], irá consultar o Congresso, mas tomará a decisão pessoalmente. Analistas avaliam que consequências poderia ter uma invasão brasileira.

"Vamos supor que haja uma invasão militar lá [Venezuela], a decisão vai ser minha, mas eu vou ouvir o Conselho de Defesa Nacional, e depois o Parlamento brasileiro, para tomar a decisão de fato na questão disso aí. A Venezuela não pode continuar como está", disse Bolsonaro em entrevista à Rádio Jovem Pan.

O presidente também afirmou que um possível conflito na Venezuela provavelmente envolveria uma guerra de guerrilha e que essa situação pode prolongar o conflito.

Segundo o especialista em relações internacionais e ex-diplomata Nikolai Platoshkin, se Brasília se evolver em uma invasão militar na Venezuela, isso poderia causar uma crise interna no Brasil. Ele sublinhou que no país ainda há manifestações em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atualmente está preso e que tinha boas relações com o ex-líder venezuelano Hugo Chávez.

"Qualquer aventura militar de Bolsonaro contra a Venezuela levaria a uma crise política interna [...] Milhões de pessoas, apoiadores do socialismo, iriam para as ruas e, como eu acredito, perturbariam essa intervenção", explicou Platoshkin ao serviço russo da Rádio Sputnik.

O especialista refere que Bolsonaro fez essa declaração entendendo claramente que o Congresso nunca aprovaria uma invasão militar na Venezuela. "Então, ele diria: 'Amigo, está tudo pronto, mas há certas circunstâncias'", afirmou Platoshkin.

O primeiro vice-presidente do comitê para Assuntos Internacionais do Conselho da Federação, Vladimir Dzhabarov, também opina que a declaração de Bolsonaro não passa de meras palavras, porque qualquer intervenção militar poderia levar a uma guerra civil de grande escala.

O senador russo sublinhou que chegou a hora de discutir o problema da intervenção militar externa no âmbito do Conselho de Segurança da ONU.

Quanto à postura da Rússia, Dzhabarov sublinha que quaisquer conflitos devem ser resolvidos à mesa das negociações, enquanto o uso da força poderia levar a consequências imprevisíveis.

Em 21 de janeiro, na Venezuela tiveram início protestos em massa contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, logo depois de ele assumir o segundo mandato presidencial.

Em 23 de janeiro, o líder da oposição do país, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino, tendo sido apoiado pelo Brasil, EUA e vários outros países. Maduro recebeu o apoio de tais países como a Rússia, México, China, Turquia, Indonésia e outros.

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