Mercado coloca Itália contra a parede

Com ou sem Silvio Berlusconi, investidores duvidam da capacidade do Pas de adotar as medidas de austeridade necessrias para evitar uma recesso. Falta de credibilidade faz bolsas europeias despencarem

Mercado coloca Itália contra a parede
Mercado coloca Itália contra a parede (Foto: Marco Valdo/REUTERS)
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Roberta Namour – correspondente do 247 em Paris - Após ter inicialmente saudado a demissão iminente de Silvio Berlusconi, o mercado financeiro se questiona sobre o futuro da Itália. A falta de credibilidade do país no cenário internacional faz os analistas duvidarem de sua capacidade de evitar uma recessão em função da necessidade de medidas de austeridade duras e rápidas.

"A questão agora é saber quanto tempo os partidos políticos vão levar para chegar a um acordo e para assegurar os credores e os parceiros do país. A formação de um governo de especialistas aparece como a saída mais provável e favorável, mas ela está ainda longe de acontecer", classificou a CM-CIC Securities.

Enquanto o clima de indecisão paira no ar, as taxas de juros da dívida italiana a 10 anos batiam 7% nesta manhã, um recorde que torna cada vez mais difícil o financiamento das obrigações do país. Essa disparada surtiu um efeito negativo em todos os mercados europeus. Na Itália, o FTSE Mib Index perdia 3,75%, aos 15.077,20 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX, caía 1,95%, para 5.845,15 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 depreciava 2,07%, a 3.078,33 pontos. Em Londres, o índice FTSE 100 recuava 1,53%, a 5.482,33 pontos. O indice Stoxx dos bancos europeus despencava 3,7% e dos seguros, 3,76% - as duas maiores quedas setoriais da Europa.

Em Paris, as ações dos bancos Axa caem 4,64%, do BNP Paribas 2,83%, do Crédit agricole 2% e do Société générale 4%. O Intesa Sanpaolo cedeu 5,5% e os bancos gregos registram baixa de 4,94%.

A resistência do mercado é explicada pelo fato de que a data da partida do Cavaliere ainda não está clara. Além disso, ninguém sabe se o novo executivo terá uma maioria suficientemente forte para impor o regime restrito que exige os europeus. "Estamos realmente em mercados 100% políticos. Apesar da saída de Berlusconi, os problemas estruturais da Itália continuam", disse Alexandre Baradez, analista da Saxo Banque.

Inspetores da União Europeia são esperados durante o dia em Roma para iniciar uma missão de monitoramento para garantir que as reformas econômicas têm sido implementadas, como parte do acordo alcançado na semana passada na cúpula do G20 em Cannes.

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