O “assassinato” de Hugo Chávez

Pergunta do jornalista Kennedy Alencar numa entrevista com o presidente venezuelano mostrou como é inverossímil que um homem que até aquele maio de 2010 era extremamente saudável tenha levado escassos um ano e nove meses para morrer

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Na noite do último domingo, o jornalista Kennedy Alencar, em seu programa na Rede TV!, o É notícia, reapresentou entrevista que fez com o ex-presidente Hugo Chávez em maio de 2010, há menos de três anos. Entrevista que eu inclusive havia assistido, mas da qual logicamente não me lembrava e que agora nos traz a possibilidade de analisar muito melhor a suspeita externada pelo presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, de que o seu falecido líder possa ter sido assassinado por seus inimigos políticos, possivelmente pelo maior deles, os Estados Unidos – ou, ao menos, pelo governo estadunidense.

A entrevista é riquíssima e permite entender muito melhor um homem que há mais de uma década vem tendo a sua imagem deturpada – muitas vezes de forma literalmente criminosa –, o que contribuiu para que prolifere neste país um dos piores tratamentos jornalísticos e políticos que se viu no mundo à morte daquele que, goste-se dele ou não, já ingressou nos anais da história como um dos líderes políticos mais importantes que a humanidade já conheceu e sobre quem, de concreto – extirpando especulações –, só se pode dizer que tirou milhões de venezuelanos do inferno e os levou, na pior das hipóteses, ao purgatório.

Contudo, há que destacar que, nos primeiros momentos da entrevista, pergunta que o jornalista Kennedy Alencar – o qual respeito e admiro por um trabalho da maior seriedade – fez ao hoje falecido Chávez me fez estremecer até os ossos porque mostrou como é inverossímil que um homem que até aquele maio de 2010 era extremamente saudável tenha levado, entre o diagnóstico da doença em junho de 2011 e seu trágico desenlace em março de 2013, escassos um ano e nove meses para morrer.

Perguntas e respostas da entrevista permitem compor um conceito sobre o estado físico desse homem que foi liquidado de forma tão fulminante pelo câncer que chega a espantar até pela comparação com casos recentes – e incrivelmente coincidentes – de outros líderes sul-americanos que foram acometidos pelo mesmo mal e que conseguiram diagnosticá-lo a tempo e, assim, sobreviveram. Surge a dúvida, então, sobre por que um líder político que cuidava tanto da própria saúde também não pôde ser salvo.

Aos 6 minutos e 40 segundos do primeiro bloco da entrevista que este blog reproduz a seguir parte a parte, em três partes, o entrevistador inquire o entrevistado sobre sua saúde. Confira, abaixo, a transcrição daquele trecho da entrevista.

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Kennedy Alencar – O senhor toma algum cuidado especial com a sua saúde, evita comer algum tipo de alimento, faz exercícios?

Hugo Chávez – Sim, muito mesmo. Primeiro, fui esportista a vida toda. Jogava e ainda jogo beisebol, softball. Bom, sou um soldado. Estive em batalhões de combate, de paraquedistas, sempre treinando e mantendo uma boa forma física. Ainda costumo fazer isso. Eu gosto, sabe? A gente relaxa muito correndo, nas barras, fazendo exercício. Mantendo mais ou menos um peso aceitável para a minha idade, para as responsabilidades, para uma boa saúde. Faço dieta sempre, estou em dieta permanente. Tento não comer muita gordura, nem esse tipo de alimentos que geram colesterol, obesidade. Eu me cuido e sou cuidado, pois isso é uma obrigação, parte das tarefas e do trabalho que temos.

KA – É verdade ou é um mito que o senhor, quando viaja, leva sua própria comida por questões de segurança?

HC – Não só por motivos de segurança. Além disso, é uma dieta. É preparada segundo um controle médico com as proteínas e calorias reguladas. Mas também por motivos de segurança.

KA – O senhor fuma?

HC – Às vezes. Já fui fumante. Fui fumante principalmente na prisão, nas longas horas da prisão. Mas agora posso dizer que não fumo. Às vezes, de vez em quando, quando alguém pega um cigarro... Mas não, não sou fumante. E não aconselho para ninguém, faz mal à saúde

[...]

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Chávez certamente estava em melhor forma física do que Lula, do que Dilma Rousseff, do que Cristina Kirchner, do que Fernando Lugo e do que a grande maioria dos cidadãos comuns ou não que contraíram cânceres no mesmo período após diagnóstico precoce que tanto o venezuelano quanto qualquer um dos outros lograram fazer da moléstia insidiosa que os acometeu. Diante disso tudo, há que fazer algumas indagações:

1 – Por que Chávez foi levado como uma folha ao vento pela doença, então?

2 – Alguém com um mínimo de honestidade pode negar que há alguma coisa estranha no processo que ceifou a vida do ex-presidente da Venezuela?

3 – Os suspeitos mais evidentes de um eventual envenenamento de Chávez devido ao longo histórico que têm de mandarem assassinar seus inimigos políticos, os Estados Unidos – que, não nos esqueçamos, são a maior potência tecnológica do planeta – teriam tecnologia para causar uma doença fulminante em um ser vivo?

4 – Não chega a ser ridículo achar que os EUA não disponham dessa tecnologia ou que, dispondo dela, não a usariam contra alguém que os incomodava tanto e que não poderiam simplesmente fazer sucumbir sob suas bombas?

Antes ou depois de refletir sobre essas questões, porém, se você não assistiu à entrevista em tela, recomendo fortemente que assista. Ela mostra Chávez sem interpretações de terceiros e, mais do que isso, mostra um outro lado dessa história que quem só se informa pela grande mídia brasileira certamente desconhece.

Assista abaixo, em três partes, à última edição do É Notícia, que apresentou entrevista de Hugo Chávez a Kennedy Alencar em 2010 e que foi ao ar entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira.

PARTE 1

 



PARTE 2

 



PARTE 3

 

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