Acuado, Temer tenta se distanciar de antigos aliados e assessores

Acossado pelas denúncias que o atingem diretamente, Michel Temer vem se distanciando de antigos aliados e assessores próximos envolvidos em corrupção; depois de rifar o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), flagrado com uma mala com R$ 500 mil em propina, Temer exonerou o assessor especial Tadeu Filippelli, preso nesta manhã em operação da Polícia Federal que apura fraudes nas obras do estádio Mané Garrincha, em Brasília

Michel Temer e assessor Tadeu Filippelli
Michel Temer e assessor Tadeu Filippelli (Foto: Paulo Emílio)

247 - Cada vez mais acossado pelas denúncias que o atingem diretamente, Michel Temer vem buscando se distanciar de antigos aliados e assessores próximos envolvidos em escândalos de corrupção.

Depois de rifar o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), amigo e homem de confiança que foi flagrado pela Polícia Federal com uma mala com R$ 500 mil em propina paga pelo grupo JBS, Temer exonerou nesta terça-feira (23), o seu ex-assessor especial Tadeu Filippelli.

Filippelli foi preso nesta manhã, juntamente com os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT) por desvios de até R$ 900 milhões nas obras do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Fillipelli e Loures trabalhavam em uma sala que ficava ao lado do gabinete presidencial, no Palácio do Planalto, hoje reservada para Marcela Temer, e dividiam a mesma secretária nos primeiros meses do governo Temer. A exoneração de Filippelli já foi assinada por Michel Temer e está na Casa Civil, devendo ser publicada no Diário Oficial da União a partir desta quarta-feira.

Filippelli, que foi vice-governador do DF, era considerado um dos assessores mais próximos de Temer. Um outro amigo próximo e que também atuava no mesmo andar onde funciona o gabinete da Presidência da República, José Yunes, deixou o governo após ser citado em depoimentos de delações premiadas feitas por ex-executivos da empreiteira Odebrecht como sendo beneficiário de propinas pagas pela empresa.

Na época, Yunes acusou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, de tê-lo usado como "mula" para receber propina.

Leia mais na reportagem da Agência Brasil:

Exoneração de Filipelli é encaminhada para publicação no Diário Oficial

Andreia Verdélio – A portaria de exoneração de Tadeu Filippelli do cargo de assessor especial da Presidência da República já foi encaminhada à Casa Civil para publicação no Diário Oficial da União. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto. Ex-vice-governador do Distrito Federal, ele foi preso hoje (23) pela Polícia Federal na Operação Panatenaico, que investiga o superfaturamento nas obras do Estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Filippelli é investigado pelos crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro e ainda de associação criminosa. Segundo o juiz do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Vallisney de Souza Oliveira, que autorizou a prisão, o assessor fez diversos pedidos de propina para a Andrade Gutierrez.

"Inclusive, recebera propina para o seu partido PMDB, entre 2013 e 2014, tendo recebido valores ilícitos também da Construtora Via Engenharia, tudo em função da realização das obras e na execução do contrato licitatório em que as duas empresas saíram vencedoras e executaram a obra hiperfaturada."

Além de Filippelli, os ex-governadores Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda são alvos da operação e tiveram a prisão temporária decretada. Arruda e Filippelli estão na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Agnelo Queiroz ainda não chegou à unidade.

Os policiais cumprem hoje 10 mandados de prisão temporária, 15 de busca e apreensão e três de condução coercitiva no âmbito da operação que investiga irregularidades nas obras de reconstrução do estádio que recebeu jogos da Copa do Mundo, em 2014.

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