Dilma: golpe na Bolívia se transformou num banho de sangue

"É extremamente preocupante que a perseguição na Bolívia não seja apenas política, mas também racista, com discursos que exacerbam a discriminação com base na cor da pele ou na condição social de suas vítimas, numa clara tentativa de apagar a história política e cultural do país e as realizações em matéria de inclusão e igualdade alcançadas pelo Estado Plurinacional da Bolívia", diz ainda a nota do Grupo de Puebla, compartilhada pela ex-presidente Dilma Rousseff

(Foto: Ederson Casartelli)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

247 – O golpe de estado na Bolívia, que já produziu 23 mortes, segundo balanço parcial da Organização dos Estados Americanos, está se convertendo num banho de sangue, alerta a ex-presidente Dilma Rousseff, que também compartilhou uma nota do Grupo de Puebla, sobre o massacre que vem sendo conduzido pela presidente autoproclamada Jeanine Añez. Confira o tweet de Dilma e a nota do grupo que reúne líderes progressistas da América Latina:

MANIFESTAÇÃO DO GRUPO DE PUEBLA

SOBRE A VIOLÊNCIA NA BOLÍVIA

Condenamos o golpe de estado na Bolívia que levou ao exílio forçado do legítimo presidente daquele país, Evo Morales e seu vice-presidente Álvaro García-Linera, e não reconhecemos a autoridade da senhora Jeanine Añez, que se declarou presidente da Bolívia, em violação à Constituição boliviana e em processo fraudulento, uma vez que os representantes do MAS (Movimento ao Socialismo), que constituem a maioria do Senado e da Câmara, foram excluídos da participação na reunião de autoproclamação.

Da mesma forma, repudiamos a violência das milícias de Camacho “Macho” e da polícia boliviana regular, que resultou em alegações de ataques muito sérios aos direitos humanos na Bolívia, como o seqüestro de políticos e autoridades do MAS, ataques incendiários a residências e edifícios de órgãos oficiais, humilhação pública de líderes, e pessoas mortas. Observamos com especial preocupação a norma emitida pela Sra. Áñez e seu gabinete, exonerando as forças armadas de seu país de qualquer responsabilidade criminal, que constitui uma autoanistia prévia pelas graves violações dos direitos humanos que estão sendo cometidas sob sua proteção. .

La Alta Comisionada de Derechos Humanos de la ONU, Michelle Bachelet, ha contabilizado, tan solo en los últimos 6 días, 14 personas muertas producto de la violencia de Estado del Gobierno ilegítimo en su represión a las fuerzas políticas que se oponen al golpe. Al mismo tiempo, la Sra. Bachelet denuncia la exacerbación de la violencia, y cuenta en más de 600 a las personas que han sido detenidas desde el 21 de octubre, e insta a las autoridades a entregar información formal, precisa y acabada de las personas arrestadas, heridas y fallecidas, al mismo tiempo que a la realización de investigaciones prontas, imparciales y transparentes, sobre estos crímenes.

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, contou, apenas nos últimos 6 dias, 14 pessoas mortas como resultado da violência ilegítima do Estado, na repressão às forças políticas que se opõem ao golpe. Ao mesmo tempo, Bachelet denuncia a exacerbação da violência, conta mais de 600 pessoas detidas desde 21 de outubro, e insta as autoridades a fornecerem informações formais, precisas e completas sobre as pessoas presas, feridas e mortas, ao mesmo tempo em que conduz investigações rápidas, imparciais e transparentes sobre esses crimes.

Ao mesmo tempo, denunciamos a brutalidade com que o governo ilegítimo da senhora Añez administra seu relacionamento com a imprensa, perseguindo o jornalismo de oposição boliviano, a imprensa internacional e, ao mesmo tempo, ocultando informações e montando notícias que tentam legitimar e conquistar o público sintonizado com o seu ataque.

É extremamente preocupante que a perseguição na Bolívia não seja apenas política, mas também racista, com discursos que exacerbam a discriminação com base na cor da pele ou na condição social de suas vítimas, numa clara tentativa de apagar a história política e cultural do país e as realizações em matéria de inclusão e igualdade alcançadas pelo Estado Plurinacional da Bolívia.

Em uma atitude responsável e conciliatória, o Presidente Evo Morales se colocou à disposição para realizar um grande diálogo nacional que pacifica a Bolívia e evita mais violência.

Neste sentido, do Grupo Puebla

Apelamos a todas as forças políticas responsáveis na Bolívia para que cessem todos os atos de violência e iniciem um processo de diálogo destinado a resolver a crise política no quadro da democracia e constituição da Bolívia.

Sugerimos a criação de uma Mesa de Diálogo de Partidos e Movimentos Sociais para definir um calendário eleitoral imediato que inclua a renovação do Tribunal Nacional Eleitoral.

Propomos a criação de uma Comissão Internacional de Acompanhamento organizada pelas Nações Unidas, com a participação de países e pessoas de alta credibilidade, que também inclui um delegado do Papa Francisco, e que dentro dela seja criada uma Comissão da Verdade para esclarecer os recentes atos de violência. e os responsáveis.

Instamos a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos a enviar o quanto antes uma missão para tratar das graves alegações de violação dos direitos humanos na Bolívia.

Por fim, pedimos à comunidade internacional e a todas as organizações internacionais que se unam para garantir a paz e a proteção irrestrita dos direitos humanos.

Assinado, 17 de novembro de 2019

GRUPO DE PUEBLA

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247