Magnoli: Moro não deve tomar o lugar dos eleitores

O sociólogo Demétrio Magnoli criticou a velocidade com que o juiz Sérgio Moro tem conduzido as acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apelou que o magistrado não se apresse para condenar o petista e, assim, evitar sua candidatura em 2018. "Não corra, Moro! Não tome o lugar dos eleitores, salvando-nos de nós mesmos. Um Lula 'ficha-suja' ofereceria ao lulismo um santuário inexpugnável. O Brasil precisa, enfim, mirar-se no espelho. Inexiste saída fora da política: aquilo que começou numa eleição só terminará em outra", escreveu

Moro e Lula
Moro e Lula (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Em artigo publicado nesta quinta-feira, o sociólogo Demétrio Magnoli criticou a velocidade com que o juiz Sérgio Moro tem conduzido as acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apelou que o magistrado não se apresse para condenar o petista e, assim, evitar sua candidatura em 2018.

"Uma nuvem paira sobre Lula. No início de maio, o ex-presidente prestará depoimento perante Sérgio Moro, num dos processos por corrupção que ameaçam sua elegibilidade. As delações da Odebrecht, acompanhadas por uma extensa coleção de evidências materiais, apontam o rumo da condenação — que, caso confirmada a tempo na segunda instância, o tornaria um “fichasuja”. Nessa hipótese, a urna eletrônica de 2018 não conteria o nome que aparece como favorito nas sondagens atuais. Não corra, Moro: o Brasil precisa da candidatura de Lula.

(...)

Ninguém tem o privilégio de pairar acima da lei. Lula não deve ter prerrogativas negadas a Marcelo Odebrecht, Sérgio Cabral ou Eduardo Cunha. O papel desempenhado por ele nas teias de corrupção do “Estado-Odebrecht” precisa ser examinado pelos tribunais. Os juízes, espera-se, terão a coragem de ignorar a programada intimidação de hordas de militantes, julgando o ex-presidente segundo os códigos legais. Mas não há necessidade de apressar os ritos processuais, normalmente tão vagarosos.

Não corra, Moro! Não tome o lugar dos eleitores, salvando-nos de nós mesmos. Um Lula 'ficha-suja' ofereceria ao lulismo um santuário inexpugnável. O Brasil precisa, enfim, mirar-se no espelho. Inexiste saída fora da política: aquilo que começou numa eleição só terminará em outra."

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