Renan vai convidar Moro para discutir Lei de Abuso de Autoridade

Presidente do Senado disse nesta quinta-feira, 10, que pretende convidar o juiz federal Sérgio Moro, que já fez críticas públicas à proposta, para discutir o projeto que altera o texto da Lei de Abuso de Autoridade; "A melhor maneira de colaborar com o processo legislativo e com o aperfeiçoamento institucional é debatendo no Legislativo, então, vamos chamar essas pessoas, convidá-las, e espero que elas venham", disse Renan; "Ninguém de bom senso defende o abuso de autoridade", completou

Brasília - Entrevista coletiva do presidente do Senado,Renan Calheiros.(Antônio Cruz/ Agência Brasil)
Brasília - Entrevista coletiva do presidente do Senado,Renan Calheiros.(Antônio Cruz/ Agência Brasil) (Foto: Aquiles Lins)

Yara Aquino, da Agência Brasil - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse hoje (10) que pretende convidar o juiz federal Sérgio Moro, que julga a Operação Lava Jato, para discutir o projeto que altera o texto da Lei de Abuso de Autoridade (Lei 4.898/1965). Moro já fez críticas públicas à proposta.

"Acho que é hora de avançarmos, garantirmos a transparência, cobrarmos responsabilidade de quem abusou, ninguém de bom senso defende o abuso de autoridade", disse o presidente do Senado. "A melhor maneira de colaborar com o processo legislativo e com o aperfeiçoamento institucional é debatendo no Legislativo, então, vamos chamar essas pessoas, convidá-las, e espero que elas venham", completou.

Renan informou que a intenção é decidir quem será o relator da matéria na reunião de líderes partidários da próxima semana.

No mês passado, Moro afirmou que a proposta sobre o abuso de autoridade é um "atentado à independência da magistratura". O juiz declarou que é preciso criar salvaguardas para deixar claro que a norma não pode punir juízes pela forma como interpretam as leis em suas decisões. "Do contrário, vai ser um atentado à independência da magistratura", disse.

O PLS 280/2016, que define os crimes de abuso de autoridade, é de autoria de Renan Calheiros. O texto prevê que servidores públicos e membros do Judiciário e do Ministério Público possam ser punidos caso sejam determinadas prisões "fora das hipóteses legais", como ao submeter presos ao uso de algemas sem que apresentem resistência à prisão e fazer escutas sem autorização judicial, atingindo "terceiros não incluídos no processo judicial ou inquérito".

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