Rui Costa Pimenta sobre redução da pena de Lula: estão manobrando a opinião pública

Presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, em entrevista à TV 247, acredita que a redução da pena de Lula pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) faz parte de um jogo com a opinião pública; "Se o governo estivesse forte, era possível que o STJ confirmasse a decisão em segunda instância", afirmou; assista

Rui Costa Pimenta sobre redução da pena de Lula: estão manobrando a opinião pública
Rui Costa Pimenta sobre redução da pena de Lula: estão manobrando a opinião pública

247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, analisou o julgamento do ex-presidente Lula no Superior Tribunal de Justiça (STJ) na última terça-feira (23), que confirmou sua condenação em terceira instância no caso do triplex do Guarujá e reduziu sua pena para oito anos e dez meses de prisão.

Para ele, a redução da pena fez parte de uma manobra para aliviar a pressão sobre a fraqueza do governo do presidente Jair Bolsonaro. "Eu encaro essa decisão do STJ como uma manobra que estava prevista, já tinham falado que se poderia conceder a prisão domiciliar, tinha todo um vazamento no sentido de que eles iriam deixar escapar um pouco de vapor dessa panela de pressão que é o caso Lula. Isso é uma manobra para manobrar a opinião pública, a opinião de esquerda principalmente, porque o governo está muito fraco. Se o governo estivesse forte era possível que o STJ confirmasse a decisão em segunda instância e pronto".

O líder político complementou dizendo que há uma conspiração para manter Lula fora do jogo político. "Há uma conspiração para manter o Lula fora da política, mantê-lo preso, e isso está totalmente de acordo com o que está acontecendo no governo Bolsonaro, o ataque à esquerda e aos sindicatos, tudo isso forma um conjunto bastante coerente. A redução da pena apenas indica que a pressão que eles sustentaram até agora foi muito grande, é uma espécie de válvula de pressão que ele abriram para diminuir a revolta popular, com a condenação do Lula, que reflete também o estado de debilidade do governo Bolsonaro".

Sobre uma possível prisão domiciliar do ex-presidente, Rui Costa lembrou que há outros processos contra Lula e que no meio do caminho algum deles pode aumentar sua permanência na prisão. "Na realidade ninguém deve ter nenhuma grande expectativa, nem mesmo na questão da prisão domiciliar, há outros processos do Lula que estão sendo julgados, nós não temos o controle disso. O pessoal que trabalha na área tem o cronograma e, na hora em que o STJ diminuir a pena entra outro processo na segunda instância do sítio, eles têm todo um sistema de manipulação que, na minha opinião, ninguém da burguesia, ainda mais com a crise do governo Bolsonaro, quer botar o Lula à vontade, mesmo que continue a pena".

O presidente do PCO explorou mais as fraquezas do atual governo e comentou sobre a importância da reforma da Previdência na agenda bolsonarista. "O grande problema do governo é que a peça-chave de toda a operação governamental era a reforma da Previdência, que é uma reforma exigida pelo mercado internacional. Isso, em certa medida já fracassou. Bolsonaro não se empenhou efetivamente, aparentemente ele tem medo dessa reforma. Acho que ela vai ser aprovada mas com muita perda de sangue, estão aprovando mas é uma pálida realização perto daquilo que eles gostariam que tivesse sido".

Rui Costa afirmou que a instabilidade do governo é fator de sorte para o país. "Acho que o grande dilema de todo mundo é o problema do fora Bolsonaro, esse é o dilema da política nacional. Em uma primeiro argumentaram que se o Bolsonaro saísse entraria o Mourão, agora o Mourão já está praticamente entrando no governo sem ninguém pedir a saída do Bolsonaro. Precisaria ter uma palavra de ordem contra o governo, uma coisa que eu acho que o pessoal não percebe é que se esse governo se estabilizar, isso é a pior coisa que poderia acontecer, nós tiramos um bilhete premiado com a confusão interna do governo Bolsonaro. Você já imaginou esse pessoal unificado, sem muita briga e agindo para colocar em prática o programa deles? Seria muito pior do que hoje. É preciso lutar contra o governo antes que o governo tenha oportunidade de arrumar a casa e apresentar uma estabilidade".

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