Na véspera de votação de denúncia, governo e oposição traçam estratégias

Na reta final antes da votação na Câmara da denúncia elaborada pela PGR contra Michel Temer, os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco e outros peemedebistas, governo e oposição seguem em ritmo acelerado; enquanto o Planalto trabalha para conseguir uma quantidade de votos que livre Temer tanto da acusação quanto de um vexame público, a oposição se articula para evitar o quórum mínimo

Plenário da Câmara dos Deputados 29/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Plenário da Câmara dos Deputados 29/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Giuliana Miranda)

Iolando Lourenço e Heloisa Cristaldo - Repórteres da Agência Brasil

Às vésperas da votação da denúncia contra  Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral), aliados e oposicionistas traçam estratégias para a votação do parecer apresentado pelo deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que recomenda o não prosseguimento da investigação.

Aliados do governo passaram o dia em busca de mais votos para derrubar a denúncia. A expectativa de um dos principais articuladores do governo, deputado Beto Mansur (PRB-SP), é que o parecer de Andrada deverá obter entre 260 e 270 votos favoráveis. Para que seja a denúncia seja rejeitada são necessários 172 votos. Governistas também tem pedido a presença dos deputados para garantir o quórum mínimo para a votação e acelerar a conclusão do processo.

Ainda de acordo com Mansur, nos últimos dias Temer tem ligado e recebido pessoalmente deputados para mostrar a importância da rejeição da denúncia. Nesta noite, está prevista a presença dele em jantar oferecido aos parlamentares na casa do vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG). Uma das estratégias dos aliados é evitar nomear quem são os deputados que votarão com o governo como uma forma de evitar pressões.

Enquanto isso, parlamentares da oposição vêm se reunindo para traçar estratégias que possam desgastar os denunciados, principalmente Temer. Os oposicionistas insistem que caberá ao governo conseguir o quórum necessário no plenário e trabalham para adiar a votação.

Também nesta noite, os líderes de partidos da oposição definirão quais oradores deverão falar na sessão, prevista para iniciar às 9h desta quarta-feira (25). O líder do PSB, deputado Julio Delgado (MG), disse que a ideia é que se inscrevam para debater a denúncia em plenário cerca de 15 deputados. O objetivo é esvaziar a sessão e impedir que o quórum mínimo seja alcançado, isso porque regimentalmente quem usar da palavra terá a presença registrada.

A oposição tem insistido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) no chamado fatiamento da denúncia. Em diversas ocasiões, o pedido para a análise da denúncia por acusado foi negado na Câmara dos Deputados. Hoje, o ministro Marco Aurélio também negou pedido do PCdoB para que a análise ocorresse de forma desesmembrada.

Em razão da votação, um dos partidos da oposição, o PSB, teve uma baixa de cinco deputados que encaminharam carta à legenda pedindo a desfiliação: Tereza Cristina(MS), Danilo Fortes (CE), Fernando Bezerra (PE), Fábio Garcia (MT) e Adílson Sachetti (MT). Delgado afirmou ainda que o PSB fechou questão a favor da autorização da investigação e que quem votar contra a orientação será punido, podendo ser expulso da sigla. O deputado admite que dos 32 parlamentares, seis ou sete ainda assim votarão contra a orientação partidária.

Denúncia

A denúncia elaborada pela PGR contra Temer, os ministros e outros peemedebistas é pelos supostos crimes de organização criminosa. Temer também é acusado de obstrução da Justiça. A peça foi apresentada pelo ex-procurador Rodrigo Janot. O parecer do relator Bonifácio de Andrada pela inadmissibilidade da denúncia foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Para que a investigação possa prosseguir no STF, é necessário antes a autorização da Câmara com o voto favorável de, ao menos, 342 deputados.

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