Três deputados do PSOL protocolam pedido de impeachment contra Bolsonaro

247 - No dia mais complicado para o governo em todos os sentidos (político e técnico), mais um pedido de impeachment chegou à mesa de Rodrigo Maia, o presidente da Câmara. Ele foi apresentado por três deputados federais do PSOL: David Miranda (RJ), Fernanda Melchionna (RS) e Sâmia Bomfim (SP).

Reportagem do portal Uol destaca que "o documento, enviado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, diz que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao enviar mensagem a seus apoiadores "convocando" para as manifestações do último dia 15 de março e por ter participado dos atos apesar da orientação para evitar aglomerações durante a pandemia do coronavírus."

O documento diz: "indo na absoluta contramão da ciência, da Constituição, da lei e dos fatos, o Presidente Jair Bolsonaro não apenas usou as suas redes para celebrar os atos do último domingo, 15 de março, compartilhando inúmeros vídeos e fotos das manifestações em distintas cidades ao redor de todo o País, como, em um ato absolutamente irresponsável, cumprimentou pessoalmente e sem nenhuma proteção dezenas de pessoas que se aglomeraram às portas do Palácio do Planalto, apertando mãos e segurando celulares de apoiadores".

Depois da veiculação da notícia sobre a apresentação do pedido de impeachment pelos três parlamentares na noite desta quarta-feira 18, a Executiva Nacional do PSOL divulgou uma nota em que se diz "surpreendida" com a iniciativa e esclarece que está "debatendo a melhor tática para enfrentar a irresponsabilidade do governo Bolsonaro". Leia a íntegra:

Nota do PSOL sobre pedido de impeachment de Jair Bolsonaro

A Executiva Nacional do PSOL foi surpreendida, nesta quarta-feira, com a participação de membros de sua bancada na Câmara dos Deputados no pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro protocolado hoje. O partido está, nas suas instâncias e bancada, debatendo a melhor tática para enfrentar a irresponsabilidade do governo Bolsonaro. Por essa razão, a iniciativa causa indignação porque atropela o debate interno do PSOL e do conjunto da oposição.

Consideramos que o momento é gravíssimo e a prioridade deve ser a defesa de medidas que salvem vidas, como aquelas apresentadas pela bancada justamente hoje. O presidente Bolsonaro cometeu vários crimes de responsabilidade. Há, portanto, base jurídica para o impeachment. No entanto, o impeachment é também um processo político que precisa ganhar os corações e mentes do povo brasileiro. Além disso, não pode ser construído de forma individual. Se queremos derrubar Bolsonaro, essa deve ser uma proposta construída coletivamente. Nesse momento, portanto, a tarefa da oposição é ampliar o crescente repúdio ao governo Bolsonaro e mobilizando amplas forças sociais para a assegurar a proteção dos mais vulneráveis ao coronavírus.

Por essa razão, o foco do PSOL e da oposição deve ser a defesa de ações enérgicas do Estado para a proteção dos mais pobres, a economia e o emprego, salvar vidas e superar a epidemia. Iniciativas individuais, isoladas e voluntaristas, não ajudam na luta contra Bolsonaro. Não reconhecemos, em nome do PSOL, esta medida unilateral. Seguiremos debatendo, nas instâncias partidárias e na bancada, as medidas adequadas para enfrentar a crise.

Executiva Nacional do PSOL
18 de março de 2020

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