Sete dicas de etiqueta para lidar com pais e mães de UTI Neonatal

Familiares e amigos devem ter atenção redobrada na abordagem com os pais que estão vivenciando este momento de vulnerabilidade

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Por Cristiane Bomfim, da Agência Einstein - No Brasil, cerca de 12% dos 3 milhões de nascimentos acontecem antes da gestação completar 37 semanas, segundo dados da Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros. Ou seja, 360 mil pais e mães têm de lidar com as angústias e incertezas de terem seus bebês nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neo), além da tristeza ou decepção de poderem voltar para casa sem os filhos no colo.

“Independentemente dos motivos que levaram o bebê para a UTI Neonatal, o nascimento prematuro é impactante em termos emocionais e físicos para os pais do bebê porque tudo aquilo que foi planejado para o novo ciclo do casal acaba sendo antecipado”, explica a enfermeira da UTI Neonatal do Hospital Israelita Albert Einstein, Simone Maria Orsi Climeni, de 54 anos, 25 deles dedicados aos cuidados de prematuros. Por isso, familiares e amigos devem ter atenção redobrada na abordagem com os pais que estão vivenciando este momento de vulnerabilidade. 

Dica 1: o que acontece na UTI Neonatal 

O primeiro passo é entender que uma UTI Neonatal é um ambiente totalmente preparado para favorecer o desenvolvimento neuropsicomotor de bebês que nasceram antes de 37 semanas de gestação, que estão com baixo peso ou ainda que tenham algum problema que possa interferir no seu desenvolvimento, como alterações cardíacas ou respiratórias. “Na maioria das vezes, a prematuridade não é doença. O bebê nasceu antes do tempo e precisa de ajuda para que se desenvolva de forma plena, como estava ocorrendo dentro do útero da mãe”, explica a psicóloga do Einstein Soraya Azzi. “Por isso, os recém-nascidos são acompanhados por profissionais como médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e equipe de enfermagem especializada 24 horas por dia.” 

Dica 2: pais em um momento delicado

Família e amigos devem ter em mente que os pais do recém-nascidos passam por um momento diferente do planejado e esperado, que estão cansados física e emocionalmente e não precisam ser bombardeados com perguntas.

Dica 3: cada bebê tem seu tempo

A insistência em ligações ou envio de mensagens para saber sobre a evolução do prematuro pode ser muitas vezes deselegante e desagradável. A evolução varia de bebê para bebê. “Cada recém-nascido tem seu próprio tempo. Tanto que é comum trigêmeos que nasceram prematuros receberem alta em momentos diferentes”, explica a enfermeira Simone Maria Orsi.

Dica 4: ganhos mínimos são o máximo

Nada mais indelicado do que fazer comparação com outros bebês que estiveram na UTI Neonatal. Nesta fase, ganhos que parecem mínimos são muito representativos para o desenvolvimento do recém-nascido. Então, comemore sempre as pequenas vitórias!

Dica 5: espere para visitar os pais

Evite visitas nos primeiros dias após o nascimento do bebê. Muitas vezes a mãe está se recuperando do parto e o casal está assimilando o momento atual do recém-nascido. Os pais, certamente, avisarão quando estiverem prontos para receber este carinho.

Dica 6: ofereça ajuda para as tarefas do dia a dia 

Nem sempre a falta de notícias significa um não avanço no estado de saúde do bebê. Muitas vezes, o desenvolvimento é lento e de um dia para o outro nada acontece. Então, espere que os pais comuniquem proativamente as novidades e, ao invés de visitas constantes e a cobrança diária sobre o estado do pequeno, coloque-se à disposição para ajudar na rotina da família, como buscar as crianças mais velhas na escola, regar as plantas e organizar a casa.

Dica 7: resfriado é, sim, impeditivo para ver a criança e a mãe

Qualquer sinal de doença é um impeditivo para uma visita. Mesmo que pareça um resfriado leve, uma tosse fora de hora ou um cansaço pode ser um fator de risco para a saúde do bebê e da mãe.

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