Por Aquiles Lins

70 anos sem Antonieta de Barros

Antonieta de Barros foi uma jornalista, professora e política brasileira. É uma das três primeiras mulheres eleitas no Brasil, sendo a primeira mulher negra a assumir um mandato popular

Ela nasceu em Florianópolis, em 11 de julho de 1901. Concluiu o atual Ensino Fundamental aos 17 anos. Em 1921 realizou curso equivalente ao Ensino Médio na Escola Normal Catarinense

Filha de escrava liberta e órfã de pai, Antonieta de Barros aprendeu desde cedo a enfrentar as barreiras impostas pela origem humilde e pelo racismo

Sua mãe, Catarina de Barros, escrava liberta e lavadeira, trabalhou como doméstica na casa do político Vidal Ramos, pai do senador Nereu Ramos, que chegou a assumir a Presidência da República

Antonieta sempre acreditou na Educação como principal agente de transformação da sociedade. Em 1922, decidiu ajudar pessoas em vulnerabilidade e fundou o Curso Particular Antonieta de Barros


Documentário 'Antonieta', de Flávia Person:

Em 1926, atuou como escritora e jornalista, defendendo questões sociais, ações para crescimento educacional e redução do analfabetismo, definições de papéis sexuais do homem e da mulher

Durante este período, usou o pseudônimo de Maria da Ilha para fundar o jornal A semana. Também colaborou com a Folha Acadêmica, O Idealista, Correio do Estado e O Estado

Antonieta de Barros foi eleita deputada estadual em 1934 por Santa Catarina, representando o rompimento de barreiras racial, de gênero e de classe. Seu mandato foi marcado pela defesa da educação

Foi deputada Constituinte em 1935 e Relatora dos capítulos de Educação e Cultura e Funcionalismo da Constituição

Em 19 de julho de 1937 presidiu a Sessão da Assembleia Legislativa, sendo a primeira mulher a assumir a Presidência de uma Assembleia Legislativa no Brasil

É de autoria de Antonieta de Barros a Lei nº 145, de 12 de outubro de 1948, que criou o Dia do Professor. Em outubro de 1963, o presidente João Goulart tornou a lei nacional

"Educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar debilitados, transformando-os em fortes; possibilitar avançar, sem muletas e sem tropeços”
- Antonieta de Barros

Antonieta era respeitada e admirada por seu espírito de justiça. Tinha voz numa época em que as mulheres eram silenciadas

Em 1937, publicou o livro Farrapos de Ideias. Os lucros da primeira edição foram doados para construção de uma escola para abrigar crianças

Antonieta de Barros faleceu precocemente em 28 de março de 1952, aos 50 anos de idade, devido a complicações diabéticas

Antonieta de Barros foi homenageada com um mural de 32 metros de altura com seu rosto na Rua Tenente Silveira, no Centro de Florianópolis, feito pelos artistas Thiago Valdi, Tuane Ferreira e Gugie