Opinião

Reverter imagem de “burra” é tarefa para 2016

Para o colunista do 247 Alex Solnik, “uma das tarefas da equipe de governo para 2016 é trabalhar para restabelecer a verdade a respeito da presidente Dilma Rousseff que, apesar de ter tido uma educação exemplar, exibir diploma universitário e ter exercido altos cargos governamentais de muita responsabilidade (…), sofre uma campanha infame que tenta…

Para o colunista do 247 Alex Solnik, "uma das tarefas da equipe de governo para 2016 é trabalhar para restabelecer a verdade a respeito da presidente Dilma Rousseff que, apesar de ter tido uma educação exemplar, exibir diploma universitário e ter exercido altos cargos governamentais de muita responsabilidade (...), sofre uma campanha infame que tenta rotulá-la de 'burra'"; "Não importa mais discutir como isso começou, cabe combater esse câncer imagético primeiro porque não é verdadeiro e segundo porque ninguém quer ter uma presidente burra e, se a população for informada de que burra ela não é, sua avaliação tende a melhorar e a avaliação popular é crucial para enterrar o impeachment", analisa o jornalista
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Acho que uma das tarefas da equipe de governo para 2016 é trabalhar para restabelecer a verdade a respeito da presidente Dilma Rousseff que, apesar de ter tido uma educação exemplar, exibir diploma universitário, ter exercido altos cargos governamentais de muita responsabilidade no Rio Grande do Sul e em Brasília e de ter sido elogiada pela inteligência até pelos torturadores que a interrogaram nos tempos da ditadura, sofre uma campanha infame que tenta rotulá-la de “burra”.

Difundida sobretudo na internet, a campanha vil e machista reúne em sua receita desde preconceitos atávicos de que mulher “é burra” por definição até sinais de que, por não conseguirem rotulá-la de “corrupta”, a chamam de “burra”. Se não é “corrupta” então “é burra”. Não pode ser inteligente se não é corrupta.

Não importa mais discutir como isso começou, cabe combater esse câncer imagético primeiro porque não é verdadeiro e segundo porque ninguém quer ter uma presidente burra e, se a população for informada de que burra ela não é, sua avaliação tende a melhorar e a avaliação popular é crucial para enterrar o impeachment, como vaticinou o ministro Jaques Wagner. “Baiano burro nasce morto” é a frase que resume com precisão o baixo conceito em que o brasileiro tem uma pessoa burra.

Um dos episódios que prova a sua inteligência e que é confirmado por todos os sobreviventes diz respeito ao congresso da Vanguarda Popular Revolucionária realizado em Teresópolis em 1968, clandestino, é claro, presentes os 60 “subversivos” mais procurados pelas forças da repressão, dentre os quais Carlos Lamarca.

Sem entrar no mérito da questão, durante o desenrolar do congresso, tenso e fortemente armado, formaram-se dois grupos antagônicos, defendendo diferentes pontos de vista acerca do futuro da guerrilha. Dilma apoiou um grupo e Lamarca, outro. Travaram-se debates memoráveis entre ela e Lamarca, mas o mais lembrado por todos não foi um discurso.

Ao receber a palavra, certa noite, Dilma, em vez de falar, cantou, à capela: “Este/ é um congresso tropical/ abençoado por Lênin/ e confuso por natureza…/ Em fevereiro/ em fevereiro/ tem Juvenal/ tem Juvenal…” Lamarca, que era o Juvenal, ficou furioso com a brincadeira, tirou seu time de campo, rompeu definitivamente com o grupo da Dilma e tomou um caminho que o levou, mais tarde, a fugir para o sertão baiano onde foi caçado e abatido pelos capangas do delegado Sergio Fleury.

Ninguém que foi inteligente na juventude tornou-se burro com o passar dos anos. Dilma seria o primeiro caso no mundo.

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Cortes 247

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