Por Florestan Fernandes para o Jornalistas pela Democracia – “No final dos anos 60, um tal de coronel Brandão que servia no Quartel General da Força Pública recebe uma ordem inusitada: deveria prender o professor Florestan Fernandes. Não era coisa de pouco relevo e a ordem recebida fora verbal.
Esperto desde sempre, pediu que lhe fosse expedida uma ordem por escrito. E a coisa empacou. Foi advertido que era uma ordem e, portanto, deveria cumpri-la. Ele argumentou que não se negaria ao cumprimento, mas exigia um papel.
Além disso, perguntou se, preso, para onde deveria levar o sociólogo. Afinal, não poderia prendê-lo e ficar ‘passeando’ com ele, sem rumo pela cidade. Ninguém resolveu a questão e poucos dias depois a ordem foi tornada sem efeito.”
Não é uma coisa de doido? Claro que a ideia não partiu da Força Pública, teria vindo de escalões superiores, leia-se do Exército. O “causo” foi contado por um coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo, amigo de uma de minhas irmãs.
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