A mentira do MBL: nunca foi apartidário e é bolsonarista

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Quem ainda não viu o documentário “O dia que durou 21 anos” deve assistir. Sobretudo porque ele contém um belo desenho histórico de como o golpe civil-militar de 1964 foi arquitetado e operacionalizado no Brasil, com destaque para o papel dos E.U.A. no golpe e seu financiamento de parlamentares e de grupos civis, formados para fazer uma dura e ferrenha oposição ao governo da época (João Goulart e sua base social), com a finalidade de desgastá-lo e desestabilizá-lo. Ao mesmo tempo, os E.U.A. instigaram os militares a darem o golpe, sob a justificativa de um “perigo vermelho” (sempre esse argumento para justificar golpes por aqui no Brasil!).

Com o fim dos “anos de chumbo”, aparentemente (mas só aparentemente) os acontecimentos traumáticos vivenciados, diziam alguns, seriam “enterrados” junto com as pessoas que foram perseguidas, presas e assassinadas pelos seus posicionamentos contrários à ditadura (porém jamais esquecidas, aliás, ainda hoje é necessário elucidar alguns casos e responsabilizar os envolvidos). Lerdo engano! O contexto atual de um discurso de perseguição/eliminação da esquerda e de constantes pedidos de “intervenção” (golpe mesmo) militar por parcela da população, mas também de políticos e de empresários, demonstra que é fundamental enfrentar, como enfrentou a Argentina e o Uruguai, esse passado recente da história brasileira.

Pois bem, para o golpe de 2016 (a farsa do impeachment) novamente foi montada uma rede, entretanto agora com o objetivo de desestabilizar o governo de Dilma Rousseff. Os ataques e as acusações foram diversos, tanto ao governo quanto às principais lideranças do PT – acusados de terroristas, comunistas, membros de quadrilha, corruptos, dentre outros. Esta rede era composta pelos grupos Revoltados Online, Vem para Rua e, principalmente, o MBL (há outros que não mencionamos). Há fortes suspeitas de que eles receberam financiamento de parlamentares e grupos externos também (com interesses que contrariavam a soberania nacional).

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Vamos recuperar, em poucas linhas, o discurso do MBL. Eles, sobretudo Kim Kataguiri e Fernando Holiday, diziam que o Movimento Brasil Livre (se livre, era porque estava “preso”, ora, ora...) era apartidário, que lutava contra a corrupção e, claro, contra a “quadrilha que estava no poder”. Estava, isso sim, a serviço de grupos econômico e políticos alinhados ao neoliberalismo. Enganaram muita gente... Os dois citados acima hoje são políticos!

E o discurso contra a corrupção? Foi corroído pela notícia de que membros do MBL foram presos por lavarem dinheiro. Ora, vejam... Lavagem de dinheiro (Ver: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2020/07/10/operacao-juno-moneta-pessoas-ligadas-ao-mbl-presas.htm?cmpid=copiaecola). Tem mais coisas por aí, e vão aparecer! Agora Holiday e Kataguiri dizem que Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso (estas figuras que foram presas) “não eram membros do movimento”.  

O MBL sempre foi um movimento político querendo projetar as suas lideranças ligadas à direita/extrema-direita e ao neoliberalismo, e contribuiu, e muito, com a disseminação de fake news e do sentimento de ódio que culminou com a eleição de Bolsonaro e o ambiente de intolerância e cólera que se instalou no país.

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Agora, nessa última semana, talvez em função da proximidade das eleições e com o intuito de criticar atuais governos (sobretudo o executivo estadual de São Paulo), membros do MBL invadiram o Hospital Geral de Guarulhos, em total desrespeito aos profissionais de saúde e aos pacientes acometidos de Covid-19, demonstrando uma espécie de oportunismo sem escrúpulos para tentarem se projetar novamente a todo custo.

Kim Kataguiri (DEM-SP), Arthur Do Val (Patriota-SP), Ricardo Melão (Novo) e Lucas Sanches (PP-SP) resolveram reativar seus instrumentos de gravação para novamente atuarem nas redes sociais constrangendo pessoas, especialmente os agentes públicos e a população em geral. Eles já fizeram esse tipo de coisa num passado recente, quando, então, agiram para desgastar e golpear, juntos e abraçados ao Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, o governo de Dilma Rousseff, espalhando fake news sobre a esquerda (seus movimentos, protestos e líderes) através da publicação de vídeos montados e mentirosos nas redes sociais.

Talvez estivessem com saudades das fake news, dos vídeos recortados e retirados de contexto, dos ataques diversos direcionados aos personagens eleitos como os seus inimigos. Não há nada que justifique a suposta “fiscalização” ao Hospital Geral de Guarulhos. Trata-se de atitude irresponsável que remonta as ações iniciais desse grupo que também pariu Bolsonaro. Não é a toa que eles pertencem a partidos da base de apoio do atual (des)governo responsável pelas mortes de mais de 350 mil brasileiros.  

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Assim como alguns bolsonaristas tentaram invadir hospitais em tempos atrás, eles, como bons bolsonaristas, apenas retomaram essa abjeta ação. O “bom” é que agora o MBL não engana mais ninguém!

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