A milícia é o Estado

Não é que o governo Bolsonaro dará todo o poder às milícias, mas deixará claro o papel miliciano das forças armadas legais dando total liberdade de ação para matar, torturar e sumir com trabalhadores, opositores do regime. Uma ditadura militar-miliciana ou miliciana-militar? Eis o embate que está produzindo aqui ou acolá algumas contradições

A milícia é o Estado
A milícia é o Estado (Foto: Alan Santos - PR)

No último período, um dos principais temas discutidos foi a íntima relação existente entre a família Bolsonaro e as milícias do Rio de Janeiro, mas também de outros estados. Até agora foi revelado apenas uma pequena parte da ponta do iceberg.

Um dos chefes da milícia, o PM foragido Adriano Magalhães da Nóbrega, tinha a mulher e a mãe empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Segundo revelou os "Jornalistas Livres", há documentos assinados por Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni, que nomeiam o ex-deputado federal capixaba Carlos Humberto Mannato, o Manato, que fez parte do sinistro Esquadrão da Morte, a Scuderie Le Cocq. Manato exercerá o cargo de Secretário Especial para a Câmara dos Deputados da Casa Civil da Presidência da República.

Só no Espírito Santo, Estado onde Manato desenvolve suas atividades, a Scuderie Le Cocq matou 1.500 pessoas, segundo o Ministério Público Federal. A organização assassina foi extinta pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio/ES) no final de 2005. Para a Justiça, a entidade abrigou e protegeu, por vários anos, pessoas acusadas de pistolagem, tráfico de drogas e roubos a bancos. A Le Cocq foi apontada, entre os anos 80 e parte de 2000, como o braço armado do crime organizado capixaba!

Já no Congresso, o DEM conseguiu controlar as duas casas. Como já é amplamente conhecido, DEM é composto por vários caciques e chefes de milícias regionais. O mais importante deles é, o agora governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Os Caiados são um dos principais chefes das várias milícias rurais que assassinam trabalhadores rurais, sem tetos, sindicalistas, há décadas no Brasil. E que após 2016 ganhou carta branca para matar de forma ainda mais intensa no último período.

As milícias dos Caiados e Bolsonaros e demais controlam o congresso e o executivo em dobradinha com os militares.

Ou seja, fica evidente que não existe uma oposição absoluta entre o Exército, Polícia Militar e Civil de um lado e as milícias de outro. Há uma linha muito tênue de continuidade entre uma e outra. Os chefes são os mesmos.

E isso não é uma novidade implementada pelo Bolsonaro. O Estado capitalista sempre foi o crime organizado contra a população. PSDB comanda o crime organizado em São Paulo há décadas.

O que difere o momento atual é que existe uma enorme ofensiva do imperialismo norte-americano no sentido de centralizar todas as gangues regionais da burguesia num Sistema Único de Segurança Pública e a subordinação de todas as forças repressivas do país (legais e ilegais) nas mãos de Villas-Bôas.

Não é que o governo Bolsonaro dará todo o poder às milícias, mas deixará claro o papel miliciano das forças armadas legais dando total liberdade de ação para matar, torturar e sumir com trabalhadores, opositores do regime.

Uma ditadura militar-miliciana ou miliciana-militar? Eis o embate que está produzindo aqui ou acolá algumas contradições.

Contra essa ditadura fascista é preciso que os partidos de esquerda, movimentos sociais e sindicatos se reúnam para discutir e organizar a formação de comitês de autodefesa.

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