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Ricardo Mezavila

Escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro.

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Bolsonaro quer fazer de Alexandre de Moraes o seu Sérgio Moro

"A ação de Bolsonaro é uma jogada político-eleitoral, porque Alexandre de Moraes estará presidindo o Supremo Tribunal Eleitoral à época das eleições"

Jair Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes (Foto: Isac Nóbrega/PR | Nelson Jr./SCO/STF)

Cumprindo o roteiro, caso a tentativa de golpe não venha através de uma canetada, Bolsonaro apresentou notícia-crime contra o ministro Alexandre de Moraes da Suprema Corte. 

O presidente alegou abuso de autoridade por parte Moraes no inquérito das fake news, no qual é investigado. Moraes é o relator do inquérito. 

A notícia-crime foi rejeitada pelo ministro do Supremo, Dias Toffoli. "Considerando-se que os fatos narrados na inicial evidentemente não constituem crime e que não há justa causa para o prosseguimento do feito, nego seguimento", escreveu Toffoli na decisão.

Outro motivo para a rejeição foi a de que a maioria das alegações apresentadas por Bolsonaro é matéria de defesa, que deveriam ser apresentadas nos inquéritos aos quais o presidente responde. 

Percebe-se que a ação de Bolsonaro é uma jogada político-eleitoral, porque Alexandre de Moraes estará presidindo o Supremo Tribunal Eleitoral à época das eleições. 

A estratégia foi difundir um clima de suspeição de Moraes contra Bolsonaro, para municiar reações bolsonaristas tipo, “o presidente está sofrendo perseguição política” e “Moraes não pode presidir o STE porque é inimigo de Bolsonaro”.  

Com base no vitimismo, Bolsonaro quer que Alexandre de Moraes seja para ele o que Sérgio Moro, juiz incompetente e parcial, foi para Lula. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.