Bolsonaro vai passar vergonha internacional

"Se o atual presidente evitar qualquer situação em que possa estar exposto a perguntas e a questionamentos aqui dentro, o que acha que pode fazer lá fora, para evitar situações embaraçosas?", pergunta o sociólogo sobre Jair Bolsonaro, que será recebido na Casa Branca por Donald Trump no dia 19 de março; "Um dos seus filhos disse que será um encontro 'épico'. Só se for para a família, porque na agenda do Trump está reservado apenas 20 minutos para ele, suficiente só para as fotografias"

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Se o atual presidente evitar qualquer situação em que possa estar exposto a perguntas e a questionamentos aqui dentro, o que acha que pode fazer lá fora, para evitar situações embaraçosas?

Ele escolheu três países com os quais pretende ter relações estreitas, depois de deixar de lado a tradicional visita inicial de um novo presidente à Argentina. Talvez quisesse evitar de se defrontar com o quadro econômico, social e político desastroso que o governo Macri produziu naquele pais. Não teria como usar exemplos positivos da reinstalação de um mesmo modelo econômico neoliberal fracassado.

Escolheu o Chile, entre os países vizinhos, achando que ia estar em casa. Um dos seus filhos ja havia estado la, congraçando-se com o candidato a Bolsonaro de la, gritou Viva Pinochet, o que caiu muito mal, num pais que condenou o ex-ditador por atentados aos direitos humanos e por corrupção, tendo a família que devolver milhões de dólares roubados por ele.

Vai poder exibir o seu ministro de economia, Chicago Boy, pinochetista, mas diante de uma economia em crise, de uma sociedade que, da menos desigual na America Latina, passou a estar entre as mais desiguais. E, pior para ele, terá que se submeter a perguntas mesmo da mídia tradicional, que conhece suas posições obscurantistas e suas declarações desastrosas.

Mas ele pode ser prevenido que será recebido por uma grande manifestação popular, dia 24, um conserto justamente contra a Cúpula Prosul, de que ele vai participar, organizado por todas as organizações da esquerda chilena, com participação de grandes conjuntos musicais, entre eles, o Inti Illimani. Ele que se prepare.

Em Israel ele se topara não com a reeleição consagradora do seu amigo, mas dos processos de corrupção a que ele tem se submeter e que podem impedi-lo até de concorrer à reeleição. Mesmo la, encontrará com uma mídia que lhe fará perguntas incomodas. E terá armadilhas postas para ele reiterar a disposição de reconhecer a Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada, com os danos que causa à economia brasileira pela posição dos países árabes no nosso comercio exterior.

Redondamente enganado se ele acredita que estará protegido nos EUA por seu amigo. A mídia dos EUA tem reproduzido reiteradamente suas besteiras e o seu desgoverno. Num pais que se orgulha da liberdade de imprensa, ele será submetido a perguntas das quais foge sistematicamente. Ou senão, fugirá, como fez durante a campanha eleitoral, a qualquer exposição pública, como qualquer ditador.

Um dos seus filhos disse que será um encontro "épico". Só se for para a família, porque na agenda do Trump está reservado apenas 20 minutos para ele, suficiente só para as fotografias.

Será que permitirão que ele se exponha e exponha o país aos vexames seguros dessa viagem? Ou será que voltará atrás, como já fez com tantas atividades, quem sabe alegando problemas de saúde?

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