Brasil precisa remover do Planalto seu maior problema

"O Brasil não pode mais depender de uns poucos homens no Congresso para remover do Planalto o maior dos seus problemas. Chega!", escreve o jornalista Ribamar Fonseca ao defender o afastamento de Jair Bolsonaro

(Foto: Marcos Corrêa/PR)
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Por Ribamar Fonseca 

Depois do tiro no pé em 7 de setembro Bolsonaro acabou: uniu as oposições, perdeu a confiança de apoiadores, reduziu substancialmente a sua base e isolou-se mais ainda. Só não ficou inteiramente só por causa  dos auxiliares, que não querem perder os cargos altamente remunerados,  e dos fanáticos, cujo radicalismo os deixou inteiramente cegos para as suas trapalhadas, mas ele ficou praticamente sem chão, sem sustentação.  Com o seu recuo,  através de uma declaração humilhante que o transformou de leão em rato, segundo o governador João Dória, Bolsonaro conseguiu apenas adiar a sua inevitável queda, porque afora o ministro Gilmar Mendes e ACM Neto ninguém mais acredita que ele tenha se arrependido e mudado, pois “pau que nasce torto não tem jeito, morre torto”. A crença geral é a de que ele procurou ganhar tempo, para respirar diante das pressões, mas quando a poeira baixar vai continuar atacando a democracia e, principalmente, o Supremo Tribunal Federal. E provocando crises, pois é a única coisa que sabe fazer.  

Após o espetáculo de 7 de setembro parece não haver dúvidas de que não existe outra solução para os problemas do país a não ser a destituição de Bolsonaro. E não dá mais para esperar por um rasgo de lucidez e amor à Pátria do deputado Artur Lyra para dar inicio ao processo de impeachment. Diante disso, aparentemente só há duas alternativas: destituir Lyra da presidência da Câmara, o que se mostra pouco provável por conta do Centrão, ou a cassação, pelo TSE, dos mandatos de Bolsonaro e do general Mourão, em atendimento às ações que se encontram naquela Corte. Esta, na verdade, parece ser a melhor solução pois com o impeachment do capitão o general assume a Presidência, o que será o mesmo que trocar seis por meia dúzia, pois Mourão pensa igual a Bolsonaro, tendo tentado minimizar a repercussão e o estrago de todas as suas agressões  às instituições, inclusive durante as manifestações do dia 7. Bolsonaro há tempos o ignora, não  o convidando para as reuniões do governo, mas ele esteve presente no palanque do chefe nas manifestações. O vice está sempre passando panos quentes nas condenáveis atitudes do titular, o que  não o credencía para substitui-lo.  

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O fato é que Bolsonaro ultrapassou todos os limites com seus inflamados discursos  diante dos seus apoiadores em Brasilia e São Paulo, chegando a afirmar que não mais respeitaria as decisões da Corte Suprema.  E seus irados apoiadores urravam de entusiasmo quando ele garantia que convocaria o Conselho da República para dar um basta às atitudes do STF. À noite circulou entre os manifestantes acampados na Praça dos Três Poderes a falsa informação de que o Presidente havia decretado o estado de sítio e houve uma grande comemoração, com muita gente enrolada na bandeira pulando de alegria. Um caminhoneiro chegou a chorar de emoção, o que bem retrata a completa ignorância desse pessoal que, certamente, nunca leu a Constituição, não conhece o funcionamento da República  e apenas se limita a repetir, como papagaio, todas as bobagens que a indústria bolsonarista de fakenews posta nas redes sociais.  Por isso foram motivo de piadas  na internet, sobretudo depois da choradeira como consequência do recuo do ídolo que, na declaração inspirada pelo golpista Michel Temer, se retratou inclusive para o ministro Alexandre de Moraes, que  passou a ser chamado por ele de “jurista” e “professor”.

A verdade é que fizeram, nas redes sociais,  um verdadeiro terrorismo  nos dias que antecederam à manifestação, afirmando que os caminhoneiros iriam paralisar o país, que era preciso abastecer as casas, etc, etc, estimulados pelo próprio Bolsonaro, num arroubo de burrice. Só no dia seguinte ele se deu conta, certamente alertado por alguém com um pouquinho mais de massa cinzenta, da grande besteira que fez. E lançou  um tímido apelo aos caminhoneiros, através de envergonhada postagem, para suspenderem o movimento de bloqueio das rodovias, que só servia para prejudicar o seu governo e o país.  E os “patriotas às avessas” se sentiram traídos, achando-se verdadeiros tolos, usados como massa de manobra, assim como os que ocuparam  as ruas acreditando que estavam lutando pelo país.  Deu dó ver pessoas fantasiadas de verde e amarelo e enroladas na bandeira, enganadas em sua boa fé,  chorando por se considerarem abandonadas pelo líder. “Deixei minha família, andei centenas de quilômetros de Santa Catarina até Brasilia para nada”, desabafou um deles. Coitados! Será que aprenderam alguma coisa com o episódio? Ou será que vão continuar gritando “mito” para um homem que até hoje só adotou medidas contra o povo, como a PEC que prejudica os servidores públicos, o marco temporal contra os indios, etc.  

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Parece que finalmente os homens com alguma fatia de poder neste país passaram a compreender que notinhas de repúdio ou discursos contundentes não produzem nenhum efeito, ou melhor, não mudam absolutamente nada. Acreditar que a carta de Bolsonaro em tom de arrependimento merece crédito é apenas uma desculpa para evitar o impeachment pois, como disse o Estadão em editorial, “a palavra do Presidente não vale nada”. Se não forem adotadas medidas concretas  visando o seu afastamento ele vai prosseguir tramando o golpe e vamos continuar assistindo aos ataques à democracia,  às instituições, em especial ao STF, as ameaças inclusive de morte a ministros da Corte Suprema e a avalanche de fakes nas redes sociais, ao mesmo tempo em que se agravam os problemas nacionais por falta de ações do governo, como o desemprego, a fome, a alta do custo de vida, a miséria, etc. O Brasil não pode mais depender de uns poucos homens no Congresso para remover do Planalto o maior dos seus problemas. Rodrigo Maia e Artur Lyra e os integrantes do Centrão vão ter de prestar contas à História por sua cumplicidade com as loucuras de um homem que prometeu o céu aos brasileiros e lhes deu o inferno. Chega!

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