Derrubar o teto e salvar o Brasil

O cruel e cínico discurso do sacrossanto teto de gastos, sustentado pela imprensa comercial, nada mais é que uma maneira de convencer a sociedade de que, mantê-la pobre, a fará desenvolvida, forte e justa. Quem defende essa política é desinformado ou interessado no atraso do País

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Holanda e Suécia são dois países desenvolvidos que adotam teto de gastos. Uma política que limita investimentos do governo para evitar o endividamento dos países. Os dois são altamente industrializados e a desigualdade é residual. As duas nações estão entre os cinco países com os melhores indicadores, sociais do mundo. Cobertura de saneamento básico, excelência em educação pública, pleno emprego e alta qualificação profissional, segurança alimentar, entre outros aspectos econômicos e sociais solucionados, há muito tempo, por uma justa distribuição de renda. Na Holanda, por exemplo, o menor salário pago a um jovem em início de carreira é superior a R$ 11 mil. Com esse nível elevado de bem-estar social, esses países podem optar por se endividar menos para investir melhor, sem penalizar a população. Além disso, quando implantado, o teto de gastos, nesses e em outros países, é revisto a cada quatro ou cinco anos.

Já o Brasil, entre os mais de 190 países, é o sétimo mais desigual do mundo. Ou seja, a opulência da fartura convive lado a lado com a indigência da miséria. Não há, na história da humanidade, país que tenha se desenvolvido com injustos e indecentes indicadores socioeconômicos. Nesse sentido, é um crime de lesa-humanidade o que o golpista Temer fez, em 2016, ao impor um teto de gastos, por 20 anos. Durante duas décadas, nenhum governante poderá investir no desenvolvimento da nação senão o índice da inflação do ano anterior. O falso e alarmista argumento dos burocratas da classe dominante é que a relação dívida bruta e PIB do Brasil já passa dos 80%. O que diriam eles sobre essa mesma relação, nos EUA e no Japão, que passa de 100% e 200% respectivamente, sem que os governantes imponham esse limite absurdo. O Brasil vai passar 20 anos sem investir no seu desenvolvimento, para sobrar recursos financeiros que serão destinados ao pagamento de juros a banqueiros, aumentando ainda mais a concentração de renda, poderes econômico e político.

Na medida em que as empresas nacionais e os serviços públicos forem asfixiados, desmantelados e paralisados, o mercado financeiro vai os controlarão por um valor bem baixo, sugando ainda mais a riqueza produzida pela classe trabalhadora brasileira, que será destinada ao desenvolvimento de outros povos, provavelmente dos mesmos países citados. Em 20 anos, não restará outra coisa senão um rastro de destruição e miséria produzido pela classe dominante mais sabuja, truculenta e ignorante do mundo. É ingenuidade esperar que a iniciativa privada invista nos desenvolvimentos político, econômico e social do País. Historicamente, esse segmento produtivo não chega a lugar algum antes de o Estado fornecer as condições. A Transposição do Rio São Francisco, idealizada na regência de Pedro II, foi materializada nos governos do PT, 210 anos depois, sob um Estado Ampliado, que levou água perene para mais de 12 milhões de brasileiros. Durantes mais de dois séculos, nenhum outro governo e nenhuma empresa privada de dignou a tocar a obra.

O mesmo se deu com o Minha Casa Minha Vida. Não existe registro, na história do Brasil, de outro governo ou de uma empresa que tenha proposto e implantado um programa habitacional voltado para famílias com renda per capta de até R$ 1.8 mil. Durante os governos do PT fora construídos 3,5 milhões de moradias dignas para cerca de sete milhões de famílias. Da mesma forma, a ideologia de Estado Ampliado do PT permitiu incluir 5,3 milhões de filhos de pobres na educação superior, que são espaços de decisão política. E o que dizer do Bolsa Família, que custava 0,5% do PIB e injetava nele R$ 1,78 a cada R$ 1,00 recebido pelos beneficiários? Essas políticas, aliadas à valorização do salário mínimo, 77% acima da inflação, que tiraram cerca de 40 milhões de pessoas da pobreza e fez o Brasil passar da 16ª para a 6ª economia mundial.

Portanto, o cruel e cínico discurso do sacrossanto teto de gastos, sustentado pela imprensa comercial, nada mais é que uma maneira de convencer a sociedade de que, mantê-la pobre, a fará desenvolvida, forte e justa. Quem defende essa política é desinformado ou interessado no atraso do País. Rechaçar o teto e derrubá-lo é dever de todos os progressistas que acreditam nas fontes energéticas, nas empresas estratégicas e, principalmente, na competência e na coragem do povo brasileiros, que é muito maior e mais poderoso que a diminuta e envergonhada classe dominante. É vital resistir ao entreguista governo Bolsonaro para garantir o Brasil para os brasileiros.

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