Entre líderes e demagogos

Coragem é qualidade que distingue líderes dos demagogos. E capturar zumbis nas ruas, convenhamos, é muito mais fácil do que enfrentar o crime organizado, responsável por toda droga consumida nas cracolândias, e nos mais requintados ambientes sociais de São Paulo

Coragem é qualidade que distingue líderes dos demagogos. E capturar zumbis nas ruas, convenhamos, é muito mais fácil do que enfrentar o crime organizado, responsável por toda droga consumida nas cracolândias, e nos mais requintados ambientes sociais de São Paulo
Coragem é qualidade que distingue líderes dos demagogos. E capturar zumbis nas ruas, convenhamos, é muito mais fácil do que enfrentar o crime organizado, responsável por toda droga consumida nas cracolândias, e nos mais requintados ambientes sociais de São Paulo (Foto: Celso Raeder)

Todo tirano é, invariavelmente, um covarde. Adolf Hitler, Muamar Kadafi, Saddam, Hussein, entre tantos outros, usaram da repressão para fazer valer suas vilanias contra opositores e minorias. Nunca se atreveram ao enfrentamento com forças militares superiores, salvo por erros de avaliação, como a invasão germânica na União Soviética. Geraldo Alckmin e João Dória não são tiranos. Foram eleitos democraticamente para o governo e a prefeitura de São Paulo, mas ainda assim, a primeira imagem que me vem à cabeça, com essa política de remoção forçada dos dependentes de crack, é o expurgo dos indesejáveis para campos de concentração.

Coragem é qualidade que distingue líderes dos demagogos. E capturar zumbis nas ruas, convenhamos, é muito mais fácil do que enfrentar o crime organizado, responsável por toda droga consumida nas cracolândias, e nos mais requintados ambientes sociais de São Paulo. Em 2006, o governo Alckmin/Lembo protagonizou a mais triste história de capitulação de um poder constituído, ao aceitar incondicionalmente os termos do cessar-fogo imposto pelo comandante do PCC, Marco Camacho, o Marcola. Na ocasião 152 pessoas foram assassinadas, e segundo reportagem publicada no jornal Estado de São Paulo, o acordo entre a cúpula do governo estadual e o PCC foi celebrado dentro do presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes.

Segundo a Confederação Nacional dos Municípios, 86,5% das cidades do estado de São Paulo, inclusive a capital, enfrentam problemas relacionados a drogas. Imagine aí o tamanho desse mercado, e os interesses que estão envolvidos. Haja helicópteros. O liberalismo, que tem no PSDB sua maior representação política, decretou premeditadamente a falência da sociedade brasileira. Não foi por coincidência que partiu, das hostes tucanas, capitaneadas por Aécio Neves, os maiores esforços pelo desmonte das ações afirmativas que estavam reduzindo o abismo social no Brasil.

Uma juventude sem esperanças e oportunidades, chefes de família desempregados, pobres agredidos por comerciais de produtos que nunca conseguirão comprar, tudo isso contribui para a fuga da realidade proporcionada pelas drogas lícitas e ilícitas. É preciso dar um basta à hipocrisia, e trabalhar com seriedade para abrir janelas de oportunidades para uma vida digna. E só verdadeiros líderes são corajosos para conduzir seu povo a um novo patamar de bem-estar social. Hoje, infelizmente, prepondera a covardia.

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