Guedes esconde os dados da Previdência para enganar o povo

Se houvesse um mínimo de honestidade do poderoso Paulo Guedes na defesa de seu projeto ele procuraria apresentar fundamentos técnicos que pudessem ser checados pelos parlamentares e pelos analistas de fora do governo

Guedes esconde os dados da Previdência para enganar o povo
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Se você tem medo de revelar uma informação é porque tem certeza de que a informação vai contrariá-lo. Seguindo essa trilha, o Ministério da Economia de Paulo Guedes decidiu esconder documentos relativos ao projeto de reforma da Previdência, confessando dessa forma que ele vai prejudicar dezenas de milhões de brasileiros. Para nós isso não chega a ser novidade. O projeto é ruim, e seu objetivo último é destruir a Previdência pública, a Previdência dos pobres, para favorecer a previdência dos ricos, chamada de capitalização.

Para quem não quer entrar nos detalhes técnicos da reforma proposta basta essa atitude de Guedes para que se conclua que é um esbulho do povo. Se houvesse um mínimo de honestidade do poderoso Paulo Guedes na defesa de seu projeto ele procuraria apresentar fundamentos técnicos que pudessem ser checados pelos parlamentares e pelos analistas de fora do governo. Entretanto, ele está escondendo as provas de sua infâmia. Sumiu com as bases do projeto porque ele próprio sabe que, se forem vistas pelo povo, gerarão revolta.

Provas escondidas são provas do que não se quer ser revelado. Do contrário, alimentará uma reação não desejada de terceiros. Normalmente, quando se faz um projeto, reúne-se uma série de notas técnicas e documentos preliminares que servem para justificá-lo. A evidência agora é de que, no meio desses documentos do projeto que Guedes e Bolsonaro querem impor à sociedade, haja muita coisa contrária às pretensões deles, apresentadas pelos próprios técnicos do Ministério da Economia, e que eles não querem revelar.

Tudo isso indica que o projeto Guedes, em lugar de ser construído de forma fundamentada de baixo para cima, foi construído de cima para baixo. O ministro quis uma determinada reforma e impôs a seus subordinados fazerem a fundamentação dela. Os sem caráter, e deles há sobra em todo o lugar, devem ter cumprido as ordens. Os mais honestos e conscientes devem ter apresentado justificadas razões contrárias. É para censurar esses últimos que o Ministério deve ter imposto aos documentos a classificação de sigilosos.

Além disso, estamos diante de um absurdo regimental. Para a tramitação de qualquer projeto no Congresso é necessário que seja apresentado um estudo detalhado de seus impactos econômicos e orçamentários. Isso não acontece com a reforma da Previdência. Na ânsia de empurrar o projeto goela abaixo do Congresso no mais rápido prazo possível, essa regra básica não foi cumprida. O que está sendo votado é um arremedo de projeto. Rápido, para que não haja tempo de os parlamentares não submetidos ao governo mostrarem todos os seus furos e suas maldades.

Se não estivesse tão empenhado em aprovar o projeto da capitalização, gozando das possíveis vantagens da proposta de tanto agrado do sistema bancário, Rodrigo Maria teria de sustar a tramitação até que seus fundamentos fossem expostos. Nada disso. Portanto, que os parlamentares fiquem atentos: como nas histórias clássicas de roubo de documentos importantes, é possível que também nesse caso papéis e provas estejam sendo substituídos a fim de que sejam colocados no lugar os exigidos pelo ministro para acomodar seu projeto. Ainda não se caracteriza como obstrução da Justiça. É a obstrução da verdade.

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