Lula: a hora exige mais que palavras de ordem

Não basta preparar um ato para Porto Alegre no dia 24 de janeiro, durante o julgamento. A tal mobilização permanente aprovada pelo PT precisa se traduzir em atos diários até lá, em denúncias internacionais, na formação dos comitês de defesa da candidatura, em agitação e propaganda constantes contra o tapetão que vem sendo urdido pela coalizão entre Judiciário,  mídia, mercado e partidos governistas.  As outras forças de esquerda – PDT,  PC do B e PSOL – não podem se limitar à defesa do “direito” de Lula ser candidato.  Se não tiverem a grandeza da unidade nesta hora,  serão todos esmagados pelo trator de esteira, aponta a colunista Tereza Cruvinel

10 05 2017 Curitiba PR Brasil o ex presidente Luiz Inacio Lula da Silva durante Ato jornada pela democracia em Curitiba Fotos Ricardo Stuckert
10 05 2017 Curitiba PR Brasil o ex presidente Luiz Inacio Lula da Silva durante Ato jornada pela democracia em Curitiba Fotos Ricardo Stuckert (Foto: Tereza Cruvinel)

Em janeiro passado,  o ex-presidente Lula reclamou do excesso de palavras de ordem e da  falta de reações concretas diante do avanço do golpe. “Nós ficamos gritando “Fora Temer” e o Temer está lá dentro. Gritamos “não vai ter golpe” e teve golpe. Estamos gritando contra as reformas e eles estão sendo aprovadas”.  Logo depois dona Marisa Letícia morreu, ele fez o luto e pegou a estrada, colocando sua candidatura na rua.  O programa do golpe fracassou em todas as frentes, inclusive no projeto de unificação de suas forças partidárias em torno de um candidato que daria prosseguimento à sua agenda de entreguismo e retrocessos. Lula consolidou-se na dianteira e o golpismo recrudesceu.  Está aí o roteiro para tirá-lo da disputa, depois de um julgamento acintosamente cronometrado com este objetivo.  Agora também é preciso mais que palavras de ordem mas Lula já fez a parte dele.  Se tivesse se omitido, se não estivesse percorrendo o país dizendo as verdades que pautarão a disputa, o TRF-4 estaria seguindo  no passo lento de sempre.  A defesa da democracia agora é tarefa não apenas do PT mas de todo o campo democrático e progressista, de cada brasileiro inconformado com o esbulho da eleição livre, em que todos possam concorrer.

Não basta preparar um ato para Porto Alegre no dia 24 de janeiro, durante o julgamento. A tal mobilização permanente aprovada pelo PT precisa se traduzir em atos diários até lá, em denúncias internacionais, na formação dos comitês de defesa da candidatura, em agitação e propaganda constantes contra o tapetão que vem sendo urdido pela coalizão entre Judiciário,  mídia, mercado e partidos governistas.  As outras forças de esquerda – PDT,  PC do B e PSOL – não podem se limitar à defesa do “direito” de Lula ser candidato.  Se não tiverem a grandeza da unidade nesta hora,  serão todos esmagados pelo trator de esteira.

Não é fácil, os canais com a população estão bloqueados pelo monolitismo da mídia, a conjuntura e a crise são desmobilizantes,  e ainda tem o climão do final de ano, e depois as férias, o verão...Mas a hora é grave e o tempo urge.  Lula tem o apoio decidido de cerca de 35% do eleitorado e há uma boa fração de eleitores não direitistas, ou não anti-petistas, que admitem votar nele.   A estes últimos, principalmente, é preciso esclarecer que ele não será julgado por um tríplex que não possui mas porque, vitorioso, será o coveiro do programa golpista que vem comprometendo o futuro do país, revogará as políticas anti-povo e  reverterá o entreguismo sintetizado na abdicação do pré-sal.  

Lula será julgado pelo que já fez e pelo que está prometendo fazer:  um novo mandato mais ousado, com referendo revogatório das reformas de Temer, com uso parcial das reservas para retomar os investimentos públicos, incluir novamente os pobres na economia e propiciar a verdadeira retomada do crescimento e da prosperidade.  Vem desafiando os rugidos do mercado.  A coalizão golpista não tem sequer um candidato único e competitivo mas para impedir Lula irá mais longe,  forçando,  com a mão do Judiciário,  uma exclusão que no futuro suscitará uma pergunta espantosa, como aquela que nos fazemos ainda hoje diante do julgamento de Sócrates e de outros que foram condenados  não pelo que realmente fizeram,  mas porque precisavam ser eliminados com uma aparência de legalidade:  “como foi possível?”.

Para que não seja possível,  não bastam palavras de ordem.

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